Refletindo sobre a Sacrosanctum Concilium, Leão XIV dedicou especial atenção à necessidade de redescobrir a oração, dimensão fundamental da humanidade
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV na Basílica de São Pedro durante a Audiência Geral / Foto: REUTERS/Remo Casilli
As Audiências Gerais com o Papa Leão XIV estão de volta após a pausa de verão no Vaticano. Nesta quarta-feira, 5, o Pontífice retomou as reflexões sobre a constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, sobre a Liturgia, dando ênfase à oração litúrgica. O encontro com os fiéis foi realizado na Basílica de São Pedro, devido ao calor.
Leão XIV recordou que é o Espírito Santo que ensina a rezar; é Ele que habita na Igreja inspirando todas as suas atividades, em particular a oração. Mas, nos tempos atuais, marcados pelo foco na eficiência e no consumismo, a oração pode parecer algo inútil e insignificante, lamentou o Papa. Até mesmo em muitas famílias cristãs já não se transmite a tradição da oração, acrescentou, frisando que a oração é uma dimensão fundamental da humanidade e que precisa ser redescoberta na sua verdade.
Na constituição Sacrosanctum Concilium, o termo “a oração” designa toda a liturgia, enfatizou o Papa. “Esta perspectiva é decisiva, pois orientou a reforma litúrgica, conferindo-lhe como eixo central a participação ativa dos fiéis. A liturgia é apresentada como o lugar do encontro, da iniciativa de Deus que se aproxima da humanidade no seu Filho, o ‘Verbo feito carne, ungido pelo Espírito Santo’, a quem podemos responder ‘por Cristo, com Cristo e em Cristo, na unidade do Espírito Santo’, ou seja, graças à ‘oração que Cristo, unido ao seu Corpo, eleva ao Pai”, disse o Pontífice.
A Liturgia das Horas
Em sua catequese, Leão XIV também se referiu à Liturgia das Horas, a oração pública diária da Igreja. Ele lembrou como o Papa Paulo VI, santo da Igreja, desejava que esta oração, indissociável da Eucaristia, guiasse e expressasse toda a oração cristã e alimentasse a vida espiritual do povo de Deus. Trata-se de uma oração que deve ser acolhida na vida cotidiana, que pode oferecer o caminho e a escola da oração cristã.
“Todas as semanas e todos os dias, a Eucaristia e a Liturgia das Horas são o sopro da vida da Igreja, que faz circular o Espírito Santo através do seu Corpo. (…) nesta oração, Cristo ‘une a si toda a humanidade e associa-a a este cântico divino de louvor’; assim, dia após dia, somos cada vez mais associados ao mistério pascal e conformados a Ele”.
Leão XIV também recordou ensinamentos de Santo Agostinho sobre a oração. Ele concluiu sua reflexão destacando que, ligada à Eucaristia, a Liturgia das Horas santifica o tempo da vida cotidiana.
“De manhã, começamos o dia com fé e gratidão; ao meio-dia, pedimos a força da fidelidade no meio das dificuldades; no fim da tarde, terminado o trabalho, as Vésperas acompanham o momento do pôr do sol; à noite, adormecemos confiando na paz de Deus. Cada Hora é um ato de esperança: durante a peregrinação terrena, vigiemos, aguardando com toda a Igreja o regresso glorioso do Senhor.”, finalizou.




