Santo Padre ressaltou que não há somente fome de pão, mas fome de afeto
E neste quinto dia de viagem à África, o Papa Leão XIV chegou a mais uma cidade de Camarões. Presidiu a Santa Missa, visitou um hospital católico e se encontrou com universitários.
Reportagem de Danúbia Gleisser e Daniele Santos
Capital econômica de Camarões, às margens do Golfo da Guiné, Douala recebeu o Papa para a Santa Missa no Estádio Japona.
Na homilia, o Papa refletiu sobre a multiplicação dos pães e dos peixes e destacou a partilha como resposta à fome no mundo. “Há pão para todos se for dado a todos”, ressaltou o Pontífice, se este pão for tomado não como uma mão que se apodera, mas como uma mão que doa”.
O Santo Padre afirmou que o milagre da multiplicação revela o amor de Deus e como podemos levar alimento para quem tem fome de paz, liberdade e justiça. Recordou que cada gesto de solidariedade é um pão oferecido à humanidade e destacou que o alimento do corpo deve caminhar com o alimento da alma. Aos jovens fez um convite especial. “Sejam vocês os rostos e as mãos que levam ao próximo pão da vida”.
O Papa lembrou que, apesar da riqueza natural de Camarões, muitos ainda enfrentam pobreza material e espiritual e encorajou a população a não ceder ao desânimo, nem a violência, que promete ganhos fáceis, mas destrói o coração.
Leão XIV exortou a todos para que não se esqueçam de que o maior tesouro que tem são os valores, a fé, a família e a hospitalidade e ordenou: “Sejam protagonistas do futuro”. Ainda em Douala, o Santo Padre fez uma visita privada ao Hospital Católico São Paulo.
De volta a Iaundé, discursou na Universidade Católica da África Central, e ressaltou o papel das universidades como espaços de formação integral, diálogo e fraternidade. “Enquanto o mundo se encontra preso no individualismo, nas aparências e na hipocrisia, a universidade é lugar de amizade, cooperação, interioridade e reflexão”, disse o Papa, ao destacar a necessidade de pensar a fé diante dos desafios atuais marcados por desigualdades, conflitos e crises sociais.
Leão alertou para os impactos das novas tecnologias como a inteligência artificial e defendeu uma formação que valorize a dignidade da pessoa e o cuidado com a criação.
Ao ressaltar que a principal virtude humana é a humildade e que somos todos discípulos, ou seja, companheiros de estudo de um único mestre que tanto amou o mundo a ponto de dar a sua vida.




