Ao encontrar-se com a população de Acerra neste sábado, 23, Leão XIV frisou necessidade de converter o olhar para promover o bem comum
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV acena para o povo reunido em Acerra / Foto: Fabio Sasso/ZUMA Press Wire via Reuters
O segundo compromisso do Papa Leão XIV em sua visita pastoral a Acerra neste sábado, 23, foi um encontro com a população local. A cidade é conhecida como “Terra dos Fogos” devido à ação de máfias ambientais que causaram consequências dramáticas para a saúde da população.
Ao chegar à Praça Calipari, o Pontífice foi recebido pelas autoridades locais e pelo povo reunido. Iniciando seu discurso, explicou que o objetivo de sua visita é confirmar e encorajar o impulso de dignidade e responsabilidade que cada coração honesto sente quando a vida brota e imediatamente é ameaçada pela morte. “A vida existe e combate a morte”, frisou o Santo Padre, “a justiça existe e se afirmará”.
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Ele observou que sempre há uma conveniência na resignação, nos compromissos, no adiar das decisões necessárias e corajosas. Segundo Leão XIV, o fatalismo, a lamentação, o transferir a culpa para os outros são o terreno fértil da ilegalidade e um princípio de desertificação das consciências. “Por isso, gostaria de dizer a todos vocês: assumamos, cada um de nós, as nossas próprias responsabilidades, escolhamos a justiça, sirvamos à vida”, exortou.
Continuar aprendendo
O Papa salientou que o bem comum vem antes dos negócios de poucos, dos interesses de grupos, por menores ou maiores que sejam. Depois de tanto sofrimento de crianças e inocentes e de perdas de muitos de seus filhos, o valor e o peso dessa dor exigem que a população de Acerra tente ser testemunho de um novo pacto.
Recordando a carta encíclica Laudato si’, escrita pelo Papa Francisco, o Pontífice chamou a atenção para o paradigma tecnocrático, que está na origem da multiplicação dos conflitos por trás dos quais está a corrida pela apropriação das matérias-primas. “Encontramos esse paradigma ativo em um desenvolvimento tecnológico que visa aos lucros vertiginosos de poucos e é cego diante das pessoas, do seu trabalho e do seu futuro. Por isso, se somos chamados a mudar, é a partir do nosso olhar”, apontou o Santo Padre.
Ele enfatizou que todos têm a missão de deixar filhos melhores para o mundo, salientando a prioridade de um real compromisso educativo. “Todos nós temos ainda o que aprender. Cada um tem algo a doar, mas primeiro deve aprender a receber”, pontuou Leão XIV. “Continuar aprendendo: eis o que nos torna comunidade. Para os cristãos, é ‘caminhar juntos’ com Jesus: tornar-se, em qualquer idade, cada vez mais e melhor seus discípulos”, acrescentou.
Construir boas práticas comunitárias
Diante disso, o Papa agradeceu aos “pioneiros” locais que, com o seu compromisso corajoso, foram os primeiros a denunciar os males da terra. “Realizaremos, passo a passo, mas rapidamente, uma economia menos individualista, um sistema menos consumista”, indicou.
“Aprendamos, então, a ser ricos de outra forma”, exortou o Pontífice: “mais atentos às relações, mais empenhados em valorizar o bem comum, mais apegados ao território, mais gratos ao acolher e integrar quem vem morar conosco”.
O Santo Padre ressaltou que é a partir dessa conversão que se podem construir boas práticas comunitárias. Essa não é uma tarefa fácil, mas é preciso que todos corrijam o próprio rumo, trabalhando diariamente nos hábitos e preconceitos em que estão acomodados e enxergando além das próprias limitações, para que enfim se unam verdadeiramente.




