Perguntas e respostas

Em visita a Assis, Papa responde perguntas de jovens e os encoraja na fé

Leão XIV respondeu perguntas de jovens que participam de um encontro internacional na cidade que é berço da espiritualidade franciscana

Jéssica Marçal
Da Redação

Papa acena aos jovens durante momento de diálogo na Praça Santa Maria dos Anjos / Foto: Iacobucci Marco/IPA/ABACA via Reuters Connect

O Papa Leão XIV realizou uma visita pastoral a Assis, na Itália, nesta quinta-feira, 6, por ocasião de um encontro internacional de jovens, o “Go! Franciscan Youth Meeting 2026”. Na Praça Santa Maria dos Anjos, o Santo Padre dialogou com os jovens, respondendo a algumas perguntas sobre diversas realidades que afetam a vida juvenil.

A primeira pergunta foi de uma jovem da Croácia, que indagou Leão XIV sobre como os jovens que cresceram na espiritualidade franciscana podem continuar sendo discípulos de Cristo em um mundo que muda rapidamente e onde pode ser difícil encontrar pontos de referência. O Papa respondeu dizendo que, sempre mais, se pedirá aos cristãos que sejam construtores de paz no seio das sociedades.

“Ser testemunha de Cristo continua algo fascinante e exigente, porque alarga a mente e o coração além de fronteiras artificiais, ou seja, além dos medos induzidos pela má informação e pelos muros dos preconceitos.”, disse.

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.: Na íntegra, as perguntas e respostas do diálogo do Papa com os jovens em Assis

Ele reconheceu, porém, que construir a civilização do amor não é algo que se compreenda e aceite de imediato, exortando a juventude a aprender com São Francisco a radicalidade evangélica, que é o posto do fundamentalismo. “Não torna cegos nem violentos, mas sensíveis, atentos, sempre no seguimento de Jesus e, por isso, humildes e acolhedores para com todos. Não é fácil, mas dá muita alegria.

O “sim” total e corajoso a Deus

Já um jovem de Bolonha apresentou ao Papa o questionamento sobre a cultura do provisório, onde as escolhas definitivas assustam. Ele quis saber do Papa como dar a Deus um “sim” total e corajoso, sem colocar um peso aos esforços e renúncias do caminho. Chegou a perguntar o que ajudou o próprio Papa em seu percurso vocacional.

Leão XIV explicou que hoje em dia, com uma interpretação muitas vezes confusa de liberdade, vem a ilusão de pensar que a vida nunca se resolve de uma vez para sempre, já que tudo muda, inclusive as pessoas. É nesse contexto que aumenta o medo. Mas decidir para sempre não é uma prisão, e sim a abertura a um dinamismo ainda maior. Trata-se de uma graça à qual o próprio Deus ajuda a responder.

“Desde a adolescência, é importante aprender a conhecer-se a si mesmo, a decidir e a arriscar – ou seja, a responder ao Senhor que chama – sem deixar de o fazer na idade adulta, no âmbito de decisões já feitas e perante as que ainda estão por tomar. É uma aventura na qual ninguém deve sentir-se sozinho e que, tal como a fé, durará até ao último instante.”

Leão XIV compartilhou, então, sua própria experiência, contando que Deus nunca o deixou sozinho, dando a ele pessoas com quem caminhar. “Assim, enquanto vocacionado ao sacerdócio, membro da comunidade agostiniana, missionário, encontrei como que uma luz que me guiou até hoje, até quando tive de dizer “sim” a um chamamento muito especial: o de ser Papa. Aderindo ao projeto único que Deus manifesta para cada um de nós, o chamamento fundamental, gravado em cada coração, é um chamamento à comunhão e não se ouve apenas uma vez, mas todos os dias.”

Obediência e permanência no amor

Outro jovem, da região da Sicília, se pautou no exemplo de obediência de São Francisco de Assis. Em uma época em que a Igreja era marcada por contradições e dificuldades internas, o santo não escolheu o caminho da heresia, não atacou nem julgou a Igreja, mas obedeceu ao Papa. O jovem expôs a realidade comum de muitos jovens de dizerem “acreditar, mas não na Igreja”.

Leão XIV considerou que muitas pessoas, ao longo da história, não conseguiram fazer a experiência da Igreja tal como Jesus deseja que ela seja. “Isto causa sofrimento, deixa feridas e desilusões e, para alguns, pode até tornar-se um impedimento à fé.”, disse. O próprio Jesus alertou sobre isso no Evangelho, acrescentou o Papa, ou seja, sobre o escândalo que os discípulos poderiam causar aos outros.

“O desejo de Jesus para a Igreja é claro: tornar-se o seu corpo e manifestar a sua vida, de seguir o seu exemplo e exercer um tipo diferente de força, que não humilha, mas eleva. (…) Temos diferentes responsabilidades e vocações, mas caminhamos juntos, inspirando-nos, ajudando-nos e corrigindo-nos mutuamente. É importante fazermos a nossa parte. Então falaremos da Igreja com o carinho com que se fala de uma Mãe, porque reconheceremos que lhe pertencemos.”

O Papa concluiu seu diálogo com os jovens frisando que este é o Evangelho que a Igreja anuncia. É preciso reconhecer e deixar que Jesus Ressuscitado atue na vida e na história de cada um. “Vamos terminar esta primeira parte pedindo a graça de Deus, a bênção do Senhor para cada um e para todos nós”, finalizou.

Santa Missa

Após o encontro com os jovens, Leão XIV presidiu a Missa na Basílica de Santa Maria dos Anjos. Também fez um momento de oração silenciosa na Porciúncula, a pequenina igreja dentro da Basílica onde nasceu a ordem franciscana. Despedindo-se dos fiéis e autoridades, o Papa retornou ao Vaticano.

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