Santa Missa na Argélia

É na fraqueza humana que se manifesta a força de Deus, frisa Papa

Leão XIV destaca o “nascer do alto” como caminho de renovação pessoal e eclesial e incentiva cristãos a serem sinal de esperança na Argélia

Julia Beck
Da Redação

Papa celebra missa em igreja na Argélia.

Papa durante homilia da Santa Missa na Argélia /Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Na Basílica de Santo Agostinho, na cidade de Annaba — antiga Hipona —, o Papa Leão XIV presidiu a Santa Missa nesta terça-feira, 14. Durante a homilia, o Pontífice afirmou que a Palavra de Deus atravessa a história e se renova na voz de Cristo, destacando que, embora os lugares mudem, os santos permanecem como testemunhas de um vínculo entre o céu e a terra.

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Ao refletir sobre o encontro de Nicodemos com Jesus, o Papa ressaltou que o Senhor ilumina a busca humana e convida a um recomeço: “deveis nascer do alto” (cf. Jo 3,7). Segundo ele, trata-se de um chamado dirigido a todos os que procuram a salvação.

Leão XIV explicou que esse apelo fundamenta a missão da Igreja, especialmente na Argélia: renascer em Deus. Ele destacou que, embora exigente, esse convite não é uma imposição, mas um dom de liberdade, que torna possível uma vida nova sustentada pela graça.

O Pontífice recordou ainda a oração de Santo Agostinho — “Dai-me o que ordenais e ordenai-me o que quiserdes” (Confissões, X, 29) — e afirmou que, diante do desejo por um futuro de justiça e paz, a resposta de Deus é “sim”. “Não importa o peso da dor ou do pecado: o Crucificado carrega esses fardos conosco”, disse, acrescentando que é na fraqueza humana que se manifesta a força de Deus.

Nascer do alto

O Papa aprofundou então o significado desse “nascer do alto”, afirmando que os cristãos são regenerados por Deus como irmãos e irmãs de Jesus e chamados a viver como uma comunidade unida. Citando os Atos dos Apóstolos, destacou que a Igreja primitiva tinha “um só coração e uma só alma”, marcada pela partilha dos bens e pela comunhão fraterna.

Segundo o Pontífice, esse modelo permanece como critério de renovação eclesial ainda hoje: uma reforma que começa no coração e envolve toda a comunidade. Ele ressaltou que a caridade cristã não é utopia, mas expressão concreta da fé, capaz de gerar justiça, solidariedade e cuidado com os mais necessitados.

Leão XIV afirmou ainda que a missão dos cristãos nasce do anúncio da ressurreição de Cristo, que transforma a vida e sustenta a esperança. Nesse sentido, exortou bispos e sacerdotes a testemunharem o Evangelho com unidade e fidelidade, sem ceder ao medo ou ao conformismo.

Esperança

Dirigindo-se diretamente aos fiéis argelinos, o Papa pediu que permaneçam como sinal “humilde e fiel” do amor de Cristo, por meio de gestos simples, relações autênticas e diálogo cotidiano. Comparando a presença cristã no país ao incenso, destacou que, mesmo discreta, ela difunde “perfume” de esperança, misericórdia e reconciliação.

“A vossa história é feita de acolhimento generoso e de tenacidade na provação: aqui rezaram os mártires, aqui Santo Agostinho amou o seu rebanho, buscando a verdade com paixão e servindo Cristo com fé ardente. Sede herdeiros desta tradição, testemunhando na caridade fraterna a liberdade daqueles que nascem do alto como esperança de salvação para o mundo”, finalizou.

Fim da etapa na Argélia e chegada a Camarões

A Santa Missa foi o último compromisso de Leão XIV no país. Na manhã desta quarta-feira, 15, o Pontífice segue para a segunda etapa de sua viagem apostólica, em Camarões.

No país africano, a agenda de amanhã inclui uma visita de cortesia ao presidente da República, no Palácio Presidencial, e a participação em um encontro com autoridades, representantes da sociedade civil e do corpo diplomático. A programação prevê ainda a visita ao Orfanato “Ngul Zamba” e, por fim, um encontro privado com os bispos dos Camarões, na sede da Conferência Episcopal.

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