Terço pela Paz

A paz é sempre possível porque é um dom de Deus, enfatiza Papa

Ao final da oração do terço pela paz, Leão XIV exortou os fiéis a serem construtores de reconciliação no cotidiano e nas redes sociais

Julia Beck
Da Redação

Nos Jardins do Vaticano, na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, Papa Leão XIV faz reflexão.

Papa na conclusão do terço pela paz deste sábado, 30 /Foto: REUTERS/Yara Nardi

“Escutarei o que diz o Senhor Deus, porque ele diz palavras de paz ao seu povo, para seus fiéis e para aqueles cujos corações se voltam para ele”. As palavras do Salmo 86 foram destacadas pelo Papa Leão XIV ao final da oração do terço pela paz, recitada neste sábado, 30, na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, nos Jardins do Vaticano, na companhia de membros do clero e fiéis.

Em sua reflexão, o Santo Padre afirmou que o trecho do salmo expressa a esperança de que a humanidade tanto necessita, especialmente diante das dificuldades e das violências do tempo presente.

“Disponhamos então o nosso coração à escuta da Palavra de Deus, para que na oração possamos compreender o significado dos acontecimentos da história, reconhecendo a providência de Deus que sempre nos guia e nos socorre”, sublinhou.

Exemplo da Virgem Maria

Leão XIV destacou que a Virgem Maria é o modelo da fiel que inclina o ouvido do coração para escutar “o que Deus diz”. Nesse sentido, explicou que ela é exemplo para todos por sua obediência, ao acolher o Filho de Deus em seu ventre no mistério da Encarnação.

Contemplar com Maria os mistérios do Rosário, comentou o Papa, leva a reconhecer em Jesus Cristo a Palavra definitiva pronunciada pelo Pai, Palavra de paz para todos aqueles que retornam a Ele com o coração contrito.

“O Senhor nunca nos abandona, mesmo quando nos esquecemos d’Ele, mesmo quando nos perdemos. Ele vem ao nosso encontro e se aproxima com o seu amor eterno”, indicou.

Paz é possível

O Santo Padre citou o profeta Isaías: “Paz, paz àquele que está longe e àquele que está perto” (Is 57,19). Em referência ao capítulo 5 do Evangelho de São Mateus, Leão XIV reiterou que quem confia em Deus acolhe esse anúncio de paz e se torna instrumento de paz, construindo-a com as próprias mãos.

“A paz, de fato, não é uma teoria a ser testada em laboratório, nem uma ilusão ingênua, nem uma questão a ser buscada por interesse próprio. Quando buscada com um coração sincero, é antes um compromisso diário: brota da justiça e do amor, como harmonia que une as pessoas, as famílias, as comunidades, os povos. Mesmo neste tempo marcado por tensão e conflitos, a paz torna-se possível quando escolhemos ouvir o clamor daqueles que dela são privados: crianças inocentes, mães e pais angustiados, prisioneiros maltratados, refugiados e pessoas de todas as idades que sofrem. Todos eles têm apenas uma palavra nos lábios: paz!”, exortou.

O Pontífice sublinhou que a paz é sempre possível porque é um dom de Deus. Em seguida, acrescentou: “quando Jesus está conosco e nos comportamos como verdadeiros discípulos do seu amor, então o Espírito Santo pode realizar o que parece humanamente impossível. Quando, ao contrário, nos afastamos de Deus, também nos distanciamos da humanidade, do nosso próximo, e somos indiferentes ao seu sofrimento”.

Ações mais que palavras

A oração, continuou o Papa, é missão e profecia. No entanto, todos podem e devem fazer a sua parte, a começar pelas pequenas, mas importantes atitudes do cotidiano, abstendo-se de toda forma de violência verbal ou física, tanto na vida diária quanto nas redes sociais.

“A verdadeira paz começa em um coração que ama. Ela é testemunhada por lábios que proferem palavras de reconciliação. Ela se reflete em olhos que olham para o mundo com gentileza e sabedoria. Esta é a verdadeira força, a força da verdade e do amor.

Deus busca construtores de paz! A nossa Mãe Santíssima nos ajude a respondê-Lo a cada dia com o nosso próprio ‘Eis-me aqui’, não apenas em palavras, mas em ações”, concluiu.

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