APÓS A AUDIÊNCIA GERAL

Papa recebe genuflexório feito a partir de barco de migrantes naufragado

Peça foi construída com madeira de embarcação que afundou na costa da Calábria após colidir com banco de areia há um ano, deixando mais de 90 mortos

Da Redação, com Vatican News

Papa recebeu peça após a Audiência Geral desta quarta-feira, 28 / Foto: Vatican Media­/Handout via REUTERS

Da tragédia, um sinal de esperança. Um ano após o naufrágio de um barco que levava cerca de 200 migrantes na costa da Calábria, o Papa Francisco recebeu um genuflexório feito com madeira da embarcação após a Audiência Geral desta quarta-feira, 28.

O naufrágio aconteceu em 26 de fevereiro de 2023, na costa da cidade de Cutro, localizada na região da Calábria, na Itália. A embarcação, oriunda da Turquia, levava mais de 200 migrantes oriundos do Irã, do Paquistão e do Afeganistão. Mais de 90 pessoas morreram após o barco se chocar com um banco de areia.

No Angelus daquele mesmo dia, o Papa Francisco lamentou as mortes, destacando que havia muitas crianças entre as vítimas. Na semana seguinte, no Angelus de 5 de março daquele ano, o Pontífice voltou a falar da tragédia. “Que as viagens de esperança nunca mais se transformem em viagens de morte! Que as águas límpidas do Mediterrâneo não sejam mais ensanguentadas por acidentes tão dramáticos”, manifestou na ocasião.

Uma luz de esperança

Diante do acontecido, o presidente da associação São Vicente de Paulo, Giuliano Crepaldi, teve a ideia de criar o genuflexório com a madeira da embarcação. “O tema dos refugiados é para mim uma prioridade”, comentou, “porque trabalho numa organização que se ocupa de acolhimento e integração daqueles que, fugindo da guerra, das perseguições e da fome, foram obrigados a abandonar os seus países de origem”.

Um dos refugiados acolhidos pela associação foi Alireza, responsável pela construção do genuflexório. “Dar forma ao genuflexório”, explicou Alireza, “foi para mim um testemunho de amor, uma forma de recordar quem perdeu a vida nestas e outras terríveis catástrofes”.

Durante a entrega, a pequena comissão prometeu ao Santo Padre que aquele seria apenas o primeiro genuflexório – mais peças serão produzidas e doadas a todas as dioceses italianas. É um sinal de que de uma ferida pode surgir uma oportunidade de oração, uma luz de esperança.

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