Um grande teólogo

O pensamento teológico de Bento XVI

Na teologia de Bento XVI está também a sua espiritualidade

Alexandre Oliveira
Da Redação

O bispo da diocese de Lorena (SP), Dom Benedito Beni, recebeu a equipe do cancaonova.com e destacou os pontos relevantes do pensamento teológico do Papa Bento XVI durante seu pontificado.

cancaonova.com: Dom Beni, sabemos que o Papa Bento XVI é considerado – até pelos não-católicos – uma das mentes mais brilhantes da nossa era, tendo em vista seus escritos e singular empenho no diálogo com inúmeros pensadores modernos. O que o senhor destacaria de relevante na linha do pensamento teológico de Bento XVI?

Dom Beni: Em primeiro lugar, Bento XVI é não só um grande Papa, mas também um grande teólogo. Basta examinar a sua produção teológica com mais de 100 escritos – em sua maioria livros de pesquisa teológica. Além disso, ele foi um dos acessores do Concílio Ecumênico Vaticano II.

Bento XVI, o grande teólogo

Eu considero como relevante, no pensamento teológico do Papa Bento XVI, a sua compreensão da Igreja a partir da Eucaristia. Para Bento XVI, a instituição da Eucaristia foi o momento principal da fundação da Igreja. É a Eucaristia que dá identidade à Igreja. E é a partir dela que devemos também compreender a missão da Igreja. Esse é um ponto forte da sua teologia.

Outro ponto forte é Deus. O Papa tem insistido muito sobre Ele como fundamento não só do universo, mas também como o fundamento mais profundo da moral, da reta conduta humana e como fundamento da vida. Bento XVI demonstrou, em seus escritos – e também em suas homilias –, que uma vida sem Deus é vazia, e todas consequências tristes vividas em nossa sociedade são pelo fato de que o Senhor é esquecido, pois as pessoas levam a vida como se Deus não existisse! Então, isso tudo tem consequências no relacionamento do homem com a natureza, no relacionamento com as outras pessoas, na concepção da dignidade humana – a dignidade humana já perde o seu caráter sagrado -, na concepção da vida como sendo não só um dom fundamental, mas um dom sagrado.

Se hoje alguns consideram a vida como um valor fundamental, mas somente com “qualidade”, isto já é uma deturpação. Nós consideramos a vida como um dom sagrado, seja ela qual for! Seja uma vida perfeita ou imperfeita, plena ou com defeitos, ela [vida] é sempre sagrada. Não depende da sua “qualidade”. Este é um pensamento muito importante de Bento XVI.

Ligada à teologia do Papa está também a sua espiritualidade: toda ela centrada no encontro com Cristo. Como ele mesmo afirmou, por diversas vezes, o ser cristão não se inicia numa grande descoberta ou num princípio ético, mas com um acontecimento: o encontro com Cristo. É esse encontro com o Senhor que abre um novo horizonte para nossa vida e indica a ela seu rumo definitivo.

Depois, tem toda questão de santidade e oração. São todos pontos fortes da sua espiritualidade e pregação. E isso tem marcado a missão dos bispos – como eu pude ver no último Sínodo – e marcado também a vida da Igreja.

Sentimos até agora o fato de não poder mais ouvir suas belíssimas homilias e suas catequeses às quartas-feiras. Mas, certamente, Bento XVI continuará nos mostrando toda a riqueza de sua teologia e pensamento em seus futuros escritos como teólogo.

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