AUMENTO DE PRODUTIVIDADE

Instituto Biológico de SP realiza pesquisa contra pragas do café

A megalópole, que ama um cafezinho, abriga a maior plantação urbana de café do mundo.

Nesta terça-feira, o mundo celebra uma das bebidas mais populares do planeta: o café. Na capital paulista, a maior plantação urbana do mundo é local de pesquisas para combater pragas e garantir melhorias da produção do grão no país.

Reportagem de Malu Sousa e Vailton Justino

 

A economia cafeeira ajudou a desenvolver o Brasil, trouxe a modernização com ferrovias para escoar o grão do estado de São Paulo para a Europa. Contribuiu com a transformação da capital paulista em uma das maiores metrópoles do mundo e ainda hoje é o país que mais exporta o café tipo Arábica. 

E a relação do paulistano com o café é profunda. A bebida é quase um sinônimo da cidade. 

O número de cafeterias é incontável, mas nem todo mundo sabe que nessa megalópole, que ama um cafezinho, existe a maior plantação urbana de café do mundo. “Ele é um cafezal orgânico regenerativo, onde a gente pode falar sobre todas as práticas agrícolas, sobre como tratar o solo”, comentou a pesquisadora do Instituto Biológico de São Paulo, Harumi Hojo. 

E o cafezal, que já era grande, com 2000 pés da planta, ficou ainda maior, recebendo mais 1500 novas mudas. Uma forma de estudar o comportamento de espécies diferentes convivendo juntas. “E agregando agora a gente também vai começar a ter outras variedades, para ver assim a variedade sensível à ferrugem, será que ela consegue ter menos ferrugem se a gente tiver esse ambiente?”, contou ela.

O tratamento orgânico adequado ao solo e a convivência com plantas mais resistentes à estiagem já começaram a dar resultados. “Naquela grande seca que teve há 2 anos atrás, que teve 40 dias, aquela seca severa, nós não irrigamos e todos eles sobreviveram. Não tivemos nenhuma morte”, afirmou a especialista. 

Com quase 100 anos de história, o Instituto Biológico de São Paulo foi criado para combater uma praga conhecida como Broca do Café. Desde então, melhorias e pesquisas têm sido realizadas para aprimorar a produção do grão no país. “É um modelo pequeno dentro de uma área urbana. Tudo que é feito na área urbana, você consegue fazer na área rural e consegue também reproduzir isso em escalas maiores”, apontou Harumi. 

Nesse processo orgânico, o controle natural de pragas e a polinização são importantes.

“A gente costuma dizer que controle biológico sustentabilitado no DNA de criação do instituto e a gente consegue agora manter”, ressaltou ela. 

E também a fé dá fruto nessa plantação. Na década de 60, durante uma crise severa na produção cafeeira, agricultores do Espírito Santo do Pinhal pediram a intercessão da Virgem Maria. Alcançada a graça, começaram a chamá-la de Nossa Senhora do Café. Uma pequena ermida construída para homenageá-la chama atenção. “E eles falaram que eles precisavam muito deixar esse relato aqui pra gente. E aí essa veio da cooperativa de Espírito Santo do Pinhal mesmo que eles falam tem um terço, que é todo feito de grão de café, que eu acho que é bem interessante”, completou a pesquisadora.

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