São josé dos Campos tem local de lembranças e histórias para a comunidade
Um cinema de rua que resiste à modernidade. Esse é o caso do Cine Santana, que leva o nome do bairro localizado na zona norte de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Uma experiência cultural que une passado e presente.
Reportagem de Emerson Tersigni e Ederaldo Paulini
São José ainda preserva características do passado. A Avenida Rui Barbosa, por exemplo, é um ambiente difusor da cultura entre gerações. Cine Santana, um polo que respira com os pulmões de quem vive a Zona Norte. “Ele inaugurou em 12 de outubro de 1952. Então ele passou por todas as exibições dos filmes, dos filmes do Mazzaropi, dos bangs bangs e de toda a história e as memórias dos moradores daqui do bairro de Santana que frequentaram nesse espaço”, contou a gestora do Cine Santana, Edilaine Pereira.
Elisa e Osmar tem as histórias entrelaçadas com o cinema de rua. “Era legal porque aqui tinha às vezes antes do do filme principal tinha o seriado, é sempre um seriado de super homem, um seriado de algum herói e era meia hora por domingo. Então isso obrigava a gente vir o mês inteiro”, relembrou a moradora do Bairro de Santana, Elisa Troni.
“A falta de mão de obra trouxe muitos mineiros para trabalhar aqui. A maioria deles solteiros. Então começaram a namorar as meninas aqui do bairro e onde ele se encontravam, além da praça de Santana, que hoje é a Praça Monsenhor Luís Gonzaga Alves Cavalheiro. Eles faziam esse percurso da praça, subia aqui a avenida até o cinema, era onde eles paqueravam. Então muitas famílias de Santana, o namoro começou aqui dentro do Cine Santana”, explicou o escritor, Osmar Ferreira.
Mesmo em meio às transformações do tempo moderno, o Cine Santana segue fazendo parte da vida do Joseense. Além da exibição de grandes produções, o local também abraça a arte, a dança e a música. Um jovem senhor de 74 anos que segue se reinventando.
“Você não sai daqui igual, seja na exibição de um filme, seja numa apresentação de dança, de teatro, seja uma criança que pode pensar: ‘Olha, eu posso ser lá na frente um bailarino, eu posso ser um ator de teatro ou um ator de cinema’. Então a gente é uma sementinha, sabe, dentro da área cultural”, refletiu a gestora.
Se as paredes ou as telas falassem, muito tempo seria preciso para abordar tantos acontecimentos. A história passa ou roda por aqui, a essência prevalece.
Sempre há alguém para recordar esta jornada. Afinal, as memórias seguem vivas na mente e no coração. “Eu sinto falta dos meus amigos, porque eu nunca vinha sozinha, era sempre de turma. Fim de semana a gente se reunia aqui para assistir filme, fazer bagunça, jogar pipoca, jogar amendoim, coisa que a gente podia fazer naquela época. A minha maior saudade é dos meus amigos”, recordou Dona Elisa.




