Orientações indicam pausas e redução de telas antes de dormir
Passar muitas horas em frente às telas tornou-se um hábito comum em todas as idades. Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais, associou o uso prolongado de celular a insônia e ansiedade em pessoas com mais de 60 anos. A pesquisa identificou ainda que, entre os mais velhos, existe o medo de ficar desconectado.
Reportagem de Nathália Cassiano e Antonio Matos
Miriam tem 81 anos, é aposentada e durante o dia se esforça para usar a tecnologia com equilíbrio. “Um pouco de manhã, um pouco à noite, só. Não fica o dia todo no celular”, disse a aposentada, Mirian Vera da Silveira.
João tem 67 anos, trabalha com redes sociais diariamente e o celular se tornou um grande aliado. “Na rua com muita atividade de prestação de serviço, essas coisas. Então no fim a gente acaba usando bastante também até pessoalmente”, falou o aposentado, João Henrique Worn.
Estudo da Universidade de Minas Gerais analisou um grupo da terceira idade por 11 anos e o resultado é preocupante. Pessoas com mais de 60 anos e que gastam muito tempo com telas podem sofrer de insônia e ansiedade. E um dos pontos em destaque é que muitos deles fizeram do celular sua companhia diária.
“Então, essa coisa do ninho vazio, o falecimento do companheiro e a ocorrência da aposentadoria, são os fatores que mais levam os idosos a gastarem mais tempo, sobretudo no celular”, afirmou a pesquisadora do INCT da UFMG e coordenadora do estudo, Renata Santos.
A pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais identificou que além de transtornos mentais e do sono, também foi observado que entre os mais velhos a chamada nomofobia, ou seja, o medo de ficar desconectado, está muito presente. “Que era o que a gente imaginava encontrar nas gerações mais jovens, e que é esse medo de ficar desconectado por meio do celular, seja por falta de bateria, por falta do acesso à internet”, acrescentou Renata.
A psicanalista Priscila Gasparini Fernandes comenta as principais recomendações à população idosa no que se refere ao uso do celular e TV. “Uma hora antes de deitar, evitar o uso de telas, tentar fazer um relaxamento, trabalhar a respiração pra gente ter ali um soninho de qualidade. Fazer pausas regulares, desses usos de tela, não ficar muitas horas em seguida ali com celular ligado, com TV ligada, tablet, computador, enfim. E é muito importante que tenha ali algo que libere também outros neurotransmissores que são serotonina, noradrenalina, morfina, que trazem o bem-estar para esse idoso”, completou ela.




