CLASSIFICAÇÃO

Brasil avalia efeitos da decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho

Governo brasileiro emitiu nota sobre a decisão do governo americano de incluir as duas maiores facções criminosas do Brasil na lista oficial de organizações terroristas estrangeiras. A classificação entra em vigor no dia 5 de junho.

Reportagem de Liana Nunes e Ersomar Ribeiro

Em nota, o Governo brasileiro afirmou que o país mantém o combate permanente ao PCC e ao Comando Vermelho e defendeu que essas organizações não sejam confundidas com o terrorismo internacional.

Para o Governo dos Estados Unidos, as facções brasileiras deixaram de ser quadrilhas locais e se tornaram ameaças capazes de operar em outros países, desestabilizando fronteiras, além de utilizarem lavagem de dinheiro no sistema financeiro global.

“No Governo dos Estados Unidos, o Comando Vermelho e o PCC, assim como as facções mexicanas e venezuelanas, deixaram de observar uma violência instrumental, que é a violência contumaz usada por um grupo criminoso para manter os seus negócios ilícitos, e passaram a observar uma violência simbólica voltada para afetar políticos, lideranças e governos. E isso se coaduna com modos operantes de grupos terroristas”, constatou o especialista em Direito Internacional, Alexandre Teixeira.

O Governo brasileiro vê a medida com preocupação, enxergando nela um risco de interferência externa na segurança nacional e na soberania jurídica do país. Diplomatas do governo Lula já estudam medidas técnicas junto ao Tesouro dos Estados Unidos para tentar reduzir os efeitos práticos dessa decisão. Por outro lado, também avaliam ações estratégicas para evitar que uma resposta oficial seja interpretada como uma defesa das facções criminosas.

O debate também ecoa diante da insegurança vivida pelos brasileiros. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 2026, aponta que 57% da população mudou hábitos por medo da violência.

“Onde o Estado não está presente, não funcionando efetivamente como Estado, que é a garantia do bem-estar e da paz social, o crime toma conta. Isso está acontecendo no Brasil de uma forma exponencial”, ressaltou o especialista em Segurança Pública, Flávio Testa.

“Tomara que a população, nas eleições que acontecerão no final deste ano, possa cobrar dos seus candidatos medidas efetivas em relação à preservação da paz social e à garantia da segurança pública”, retomou ele.

Em um país marcado pela polarização, a decisão internacional sobre as facções criminosas também gera uma apropriação eleitoral no pleito de 2026.

No Congresso Nacional, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, senador Nelsinho Trad, emitiu nota apontando que o caminho precisa ser o diálogo, com o intuito de proteger o cidadão, combater o crime organizado e devolver tranquilidade às famílias.

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