O Papa enviou uma mensagem de vídeo aos líderes religiosos presentes no encontro promovido pela Comunidade de Santo Egídio em Assis
Da redação, com Vatican News

Papa Leão XIV na mensagem em vídeo / Foto: Reprodução Youtube Vatican Media
O Papa Leão XIV enviou uma mensagem de vídeo aos participantes do encontro internacional intitulado “Paz desarmada e desarmante” que se conclui nesta terça-feira, 27, em Assis. Esse evento anual teve início no último domingo, 25, na cidade de São Francisco.
Não obstante a “radiografia de controle do tórax” tenha confirmado “a excelente evolução do pós-operatório”, e considerando o pouco tempo transcorrido desde a cirurgia para a retirada de um adenocarcinoma pulmonar, os médicos “desaconselham, por precaução, a viagem de helicóptero” prevista para esta terça-feira em que o Pontífice participaria da cerimônia conclusiva desse encontro realizado por ocasião do 40º aniversário do Dia de Oração pela Paz, convocado por São João Paulo II, em 1986.
Na mensagem de vídeo, o Papa recorda que “este evento foi promovido por São João Paulo II que, naquela ocasião, sublinhou o vínculo intrínseco que une uma atitude religiosa autêntica a uma intensa sensibilidade pela paz”.
Leão XIV saúda os Patriarcas e os líderes religiosos que ao longo dos anos, “participaram ativamente dos diversos dias de oração e diálogo que se sucederam”, o bispo da Igreja de Assis, dom Felice Accrocca, as Famílias Franciscanas e todos os presentes, e agradece ao Dicastério para o Diálogo Inter-religioso e à Comunidade de Santo Egídio “por terem dado continuidade a esta via aberta” pelos seus predecessores.
“Gostaria de estar com vocês, junto ao túmulo de São Francisco, neste importante aniversário, para ver seus rostos e para darmos, juntos, um belo testemunho de que viver como irmãos e irmãs é possível!”
A seguir, recorda as palavras do Papa Francisco a propósito daquele inesquecível Dia de Oração de outubro de 1986: «Não devia nem podia permanecer um acontecimento isolado. Vós continuastes por este caminho, conferindo-lhe maior impulso».
“Após aquele primeiro encontro histórico, São João Paulo II convidou a continuar vivendo o espírito de Assis”, disse Leão XIV, acrescentando:
“Era, então, a época da “guerra fria”, um cenário muito diferente do atual. Após 1989, não faltou quem defendesse que a globalização garantiria ao mundo uma paz estável. Infelizmente, como escrevi na Magnifica humanitas, «confiou-se quase cegamente aos mercados a capacidade de produzir bem-estar, democracia e estabilidade, quando, na realidade, a globalização não gerou automaticamente unidade e paz, mas suscitou reações fundamentalistas, identitárias e nacionalistas».”
“Neste contexto, assistimos a «uma preocupante reabilitação da guerra como instrumento de política internacional»”, sublinha o Papa Leão, recordando que “nestes tempos da cultura do poder, é necessário promover o espírito de Assis, que é rejeição da legitimação religiosa da guerra, espírito de mediação e diálogo, experiência contemplativa e ação criativa por um futuro de paz”.
“Sim, porque a paz deve voltar a ser o ideal comum dos povos, a estrela que guia todas as nossas decisões, o critério que desmascara a injustiça, o horizonte comum de todas as nações. Temos de reconstruir a paz em todo o lado, não preparar outras guerras! A guerra nunca pode ser feita em nome de Deus!”
“Para nós, que temos fé, «fazer guerra em nome da religião significa, na realidade, ferir a própria religião». Não existe nenhuma guerra santa: só a paz é santa”, diz ainda o Papa, destacando que “o caminho iniciado em Assis na busca comum pela paz é, em primeiro lugar, via de oração”.
A oração pode parecer fraca perante as potências do mundo, mas é a força humilde dos fiéis. Dirigimo-nos a Deus, que concede a paz: seja Ele a tocar o coração daqueles que desejam a guerra e o terrorismo. Não esqueçamos: nunca se reza em vão!
De acordo com Leão XIV, “a oração é escola de diálogo com Deus, com as pessoas e com todas as criaturas”. O Pontífice convidou a pensar “em São Francisco, cujo oitavo centenário da morte celebramos”.
“O mundo precisa de diálogo. O caminho de Assis compromete os líderes religiosos a promover um ambiente de diálogo entre os fiéis e na sociedade, para que a linguagem da arrogância seja substituída por aquela da paz, da negociação e da compreensão. Isto poderá «afastar gradualmente a humanidade da espiral da violência».”
O Papa finaliza a mensagem de vídeo, pedindo que “as nossas orações alcancem de Deus a tão desejada paz para todos os países do mundo! Que Ele faça de nós instrumentos desarmados da sua paz”.




