No marco de seu 80º aniversário, o UNICEF destaca que necessidades ao desenvolvimento infantil, especialmente após diversas catástrofes naturais
Da redação, com Vatican News

Foto: Zoe na Unsplash
O mundo enfrenta uma combinação cada vez mais preocupante de catástrofes naturais, conflitos, crises humanitárias e falta de recursos, com consequências particularmente graves para as crianças. Nas últimas semanas, comunidades inteiras foram devastadas por desastres no Nepal, na China, na Colômbia, na Indonésia e na Venezuela. Ao mesmo tempo, as necessidades humanitárias e de apoio ao desenvolvimento infantil continuam crescendo, enquanto os recursos disponíveis para responder a essas emergências diminuem.
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No marco de seu 80º aniversário, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) destaca que o tema da Assembleia Geral deste ano, “Nações Unidas a serviço de todos”, ganha um significado especial quando aplicado à proteção das crianças. Criado em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, para atender milhões de crianças que enfrentavam fome, deslocamento e um futuro incerto, o UNICEF transformou-se ao longo de oito décadas em uma das principais organizações internacionais dedicadas à sobrevivência, ao desenvolvimento e aos direitos da infância.
Entre os principais avanços alcançados estão a ampliação da vacinação, a terapia de reidratação oral, o incentivo ao aleitamento materno, a melhoria da nutrição, o acesso à água potável e ao saneamento e o fortalecimento da atenção básica de saúde. Esses esforços contribuíram para uma das maiores conquistas da saúde pública mundial: desde 1990, a taxa global de mortalidade de crianças menores de cinco anos caiu 60%. Doenças que anteriormente provocavam milhões de mortes ou casos de deficiência foram drasticamente reduzidas, e a poliomielite chegou perto de ser erradicada em escala global.
Apesar desses progressos, o UNICEF alerta que as crianças de hoje enfrentam desafios que eram difíceis de imaginar quando a organização foi criada. Cerca de 273 milhões de crianças e jovens estão fora da escola, enquanto centenas de milhões que frequentam instituições de ensino não conseguem adquirir competências fundamentais. A organização defende uma resposta urgente à crise da aprendizagem e ressalta que tecnologias digitais e inteligência artificial devem fortalecer, e não substituir, os investimentos em professores e sistemas educacionais.
As desigualdades também permanecem profundas no acesso a serviços essenciais. Cerca de 2,1 bilhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável e 3,4 bilhões não dispõem de saneamento adequado, situação que aumenta a exposição a doenças graves, como a cólera. Paralelamente, mais da metade das crianças do mundo sofre algum tipo de violência todos os anos, seja em casa, nas escolas, nas comunidades ou, cada vez mais, no ambiente digital. O impacto dessas experiências pode acompanhar as vítimas durante toda a vida.
As emergências humanitárias tornam esse cenário ainda mais dramático. Na República Democrática do Congo, segundo os dados apresentados, mais de 300 crianças morreram durante o pior surto de Ebola registrado no país. A epidemia também provocou efeitos indiretos: entre abril e junho, a utilização de serviços essenciais de saúde caiu mais de 40% nas áreas afetadas, enquanto a vacinação infantil de rotina, os cuidados maternos e outros serviços fundamentais sofreram interrupções. Ao mesmo tempo, equipes do UNICEF trabalham para atender crianças e famílias em crises na Palestina e em outras partes do Oriente Médio, no Sudão, Myanmar, Nepal, Ucrânia, Iêmen, Síria, Venezuela e outras regiões.
A organização também chama atenção para o impacto crescente das ameaças ambientais sobre a infância, incluindo ondas de calor extremo, poluição atmosférica, água contaminada e exposição a substâncias tóxicas. Em situações de guerra e crise, o trabalho humanitário enfrenta ainda obstáculos como a falta de acesso às populações necessitadas e a insuficiência de recursos. O UNICEF reforça que crianças e infraestrutura civil precisam ser protegidas, enquanto os trabalhadores humanitários devem ter condições de chegar com segurança às pessoas afetadas, em conformidade com o direito internacional.
Ao completar 80 anos, o UNICEF afirma que a data não deve servir apenas para recordar conquistas passadas, mas para renovar o compromisso com o futuro. A experiência das últimas oito décadas, segundo a organização, demonstra que avanços duradouros dependem de cooperação internacional, investimentos constantes e fortalecimento dos sistemas dos quais as crianças dependem. Diante do crescimento das crises humanitárias, a mensagem é direta: proteger as crianças exige decisões políticas e investimentos que garantam não apenas sua sobrevivência, mas também educação, saúde, segurança, dignidade e oportunidades para construir o futuro.




