Tradicional festival de música católica do país acontecerá entre 4 e 7 de setembro, reunindo milhares de fiéis para louvar a Deus em Franca (SP)
Gabriel Fontana
Da Redação

Tia Lolita ao lado do padre Marcelo Rossi na edição passada do Hallel (2025) / Foto: Divulgação Hallel
Há quase quatro décadas, o sonho da tia Lolita, uma leiga de Franca, no interior de São Paulo, segue alcançando milhares de pessoas. Ano após ano, o Hallel reúne fiéis de diversos lugares para momentos de louvor e adoração na presença do Senhor, sobretudo por meio da música.
A edição deste ano começa nesta sexta-feira, 4, e se estende até o feriado da Independência do Brasil, no dia 7. A organização do festival espera que cerca de 150 mil pessoas passem pelo Parque de Exposições Fernando Costa, em Franca, quebrando o recorde de público do evento.
O presidente do Hallel, Gabriel Faleiros, lista os grandes momentos que vão marcar a programação deste ano. Entre eles, está a consagração da Diocese de Franca a São Miguel Arcanjo no sábado, 5, com a presença das irmãs Maria Raquel e Maria Joana, do Instituto Hesed, e a Missa celebrada pelo bispo diocesano, Dom Paulo Roberto Beloto.

Gabriel Faleiros, presidente do Hallel / Foto: Divulgação Hallel
“Além disso, teremos a presença do padre Chrystian Shankar, padre Marcelo Rossi, padre Adriano Zandoná e os maiores nomes da música católica”, acrescenta Gabriel. A extensa programação conta com o palco central e mais de dez módulos com atividades paralelas durante o dia.
Origem do Hallel
Gabriel reconhece o desafio que é organizar o festival. “Gerenciar um evento dessa proporção é um ato de fé. Não cobramos ingresso, arcamos com uma estrutura gigantesca, contando com a Divina Providência. E, até aqui, o Senhor nos sustentou”, expressa.
Essa missão foi passada para frente pela tia Lolita, a fundadora do Hallel. A história começou em 1988, quando a Renovação Carismática Católica (RCC) em Franca completava seu décimo aniversário e ela pensava em um evento para celebrar esse marco.
“Nós estávamos reunidos na minha casa, eu e dois jovens músicos, um rapaz e uma moça, e estávamos escutando o que Jesus queria”, relata tia Lolita. “O Senhor me deu uma visualização: muitos jovens, uma multidão de jovens cantando e dançando. Eu partilhei com os meninos, eles gostaram, e abrimos a Palavra de Deus”, continua.
O versículo que leram foi o envio missionário de Jesus aos apóstolos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). “Nós entendemos que aquilo que a gente fosse celebrar era para falar de Jesus Cristo”, afirma tia Lolita. A partir daí, surgiu o Hallel com sua primeira edição.
Evangelização, obediência, unidade
Hallel é uma palavra do aramaico e quer dizer “cântico de louvor a Deus”. “É isso que é o Hallel. Nós gostamos de cantar, de dançar e louvar o Senhor”, indica tia Lolita, “e eu não sei se você sabe, mas Jesus gosta de canto, ele gosta de música. Se Jesus gosta, quem somos nós para não cantar, dançar e louvar o Senhor com toda alegria?”
Tia Lolita explica que a espiritualidade do festival baseia-se no tripé da evangelização. O primeiro ponto é evangelizar. “Nós temos que ser evangelizadores, não tanto pela palavra, mas pela vida, pelo testemunho”, salienta.
O segundo ponto é a obediência. Tia Lolita recorda Dom Diógenes Silva Matthes, primeiro bispo diocesano de Franca, que à época foi seu diretor espiritual. “Ele ensinou a obedecer primeiro a Deus, à autoridade e à consciência. A obediência é um ponto muito forte para o Hallel”, frisa.
Por fim, o terceiro ponto é a unidade. “A unidade é fruto do amor. Deus é amor e nos quer amando”, aponta tia Lolita, que recorda o mandamento deixado por Jesus: “como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor” (Jo 15,9).
“Defendemos a doutrina de Jesus Cristo com a vida, e Jesus falou tão sério sobre sermos santos. A nossa busca de santidade não é só para converter, é para virar santo”, conclui.
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