Leão XIV refletiu sobre a fé da mulher cananeia, exortando a Igreja a reconhecer como a graça de Deus atua para além das fronteiras estabelecidas
Da redação, com Vatican News

Papa Leão XIV durante a oração do Angelus na Piazza della Liberta em Castel Gandolfo / Foto: Vatica Media – Sipa USA via Reuters Connect
Dirigindo-se aos peregrinos reunidos em Castel Gandolfo para o Angelus deste domingo, 16, o Papa Leão XIV refletiu sobre a passagem do Evangelho do dia, que narra a história da mulher estrangeira que buscou a ajuda de Jesus para sua filha atormentada.
Ele começou recordando a Solenidade da Assunção, celebrada no dia anterior, quando a Igreja contemplou o vínculo indissolúvel da Virgem Maria com seu Filho — uma união de corpo e alma que nem mesmo a morte pôde romper.
Cada domingo, explicou o Pontífice, recorda aos cristãos que essa mesma plenitude é prometida àqueles que seguem Jesus. A ressurreição de Cristo, ressaltou ele, “não é um evento do passado, mas uma vida nova que nos atrai”.
Uma fé que já havia criado raízes
Embora a mulher cananeia não pertencesse ao povo de Jesus e vivesse em terra estrangeira, ela buscou insistentemente falar com Ele.
Ela seguiu Jesus como uma discípula que já compartilhava um vínculo com Ele, disse o Papa. Apesar de provavelmente nunca terem se encontrado, a fé já havia criado raízes nela de maneira misteriosa.
A mulher não pediu nada para si mesma. Em vez disso, buscou a paz para sua filha sofredora e depositou sua confiança em Jesus, reconhecendo-O como o Messias e descendente de Davi.
O Evangelho não esconde os obstáculos que ela enfrentou. Os discípulos a viam como um incômodo, enquanto o próprio Jesus, inicialmente, resistiu aos seus apelos.
No entanto, algo inesperado aconteceu. O Pontífice explicou que Jesus, fiel à sua missão, deixou-se comover pelo que viu e ouviu.
Por fim, Ele lhe disse: “Mulher, grande é a tua fé! Que seja feito como desejas”.
Surpreendidos pela obra de Deus
O Papa afirmou que esse encontro também oferece uma lição importante para a Igreja de hoje.
A Igreja, explicou ele, deve permitir-se ser surpreendida pela obra de Deus e difundir a paz de Cristo para além das fronteiras estabelecidas.
A graça divina frequentemente precede a missão da Igreja, atuando nas profundezas da consciência humana. Portanto, cada encontro — mesmo aqueles que alteram planos preexistentes — exige que os cristãos escutem atentamente e abram os olhos e o coração para o que Deus deseja comunicar.
Ninguém saiu apenas com migalhas
Com a mulher cananeia, continuou o Sucessor de Pedro, os cristãos aprendem tanto a humildade quanto a determinação. Sua fé ensina que “a mesa de Deus está posta para todos” e que ninguém deve ficar apenas com as migalhas, pois cada pessoa tem um lugar junto ao Pai.
À luz dessa fé, disse o Papa, as desigualdades, a discriminação e as barreiras que violam a dignidade dos filhos e filhas de Deus tornam-se insuportáveis.
Ao concluir sua reflexão, o Papa Leão descreveu a Igreja como a Igreja de Jesus Cristo, que vive “em um mundo atribulado que busca a paz”.
Ele convidou os fiéis a pedirem a intercessão de Maria, recordando que o *Magnificat* é “o hino mais forte e inovador jamais entoado”.
É o cântico, disse ele, de quem vê a realidade com os olhos de Deus e, por isso, nunca perde a esperança, mas age com caridade.