Na segunda matéria sobre o ciclo de catequeses do Papa sobre os documentos do Concílio Vaticano II, confira as reflexões de Leão XIV sobre a constituição dogmática Lumen Gentium
Gabriel Fontana
Da Redação

Foto: Fabio Fistarol via Unsplash
Em seu ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, o Papa Leão XIV escolheu a constituição dogmática Lumen Gentium como o segundo texto conciliar a ser refletido nas Audiências Gerais.
Entre fevereiro e maio deste ano, foram nove catequeses dedicadas à constituição — a mais longa sequência dentro do ciclo até então. Prosseguindo a série sobre o ciclo de catequeses do Papa Leão XIV, o noticias.cancaonova.com recorda como foi cada uma dessas Audiências Gerais.
Mistério da Igreja, humana e divina
Aprovada em novembro de 1964, a Lumen Gentium é dividida em oito capítulos. O primeiro deles, dedicado ao Mistério da Igreja, foi aprofundado pelo Pontífice nas duas catequeses iniciais. Em 18 de fevereiro, o Santo Padre destacou que o mistério é a manifestação daquilo que Deus quis realizar para toda a humanidade.
“A Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”, assinalou Leão XIV. “De fato, quando Deus age na história, envolve na sua atividade as pessoas que são receptoras da sua ação. É através da Igreja que Deus alcança o objetivo de unir as pessoas a si e de as reunir entre si”, acrescentou.
Na catequese de 4 de março, o Papa meditou sobre a natureza da Igreja, que conta com uma dimensão humana e outra divina. “Não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história. A santidade da Igreja consiste nisto: no fato de Cristo habitar nela e continuar a doar-se através da pequenez e fragilidade dos seus membros”, afirmou.
Povo de Deus na vida da Igreja
O Pontífice refletiu sobre o segundo capítulo da Lumen Gentium, dedicado ao Povo de Deus, nas duas catequeses seguintes. No dia 11 de março, destacou que Deus realiza a Sua obra de salvação escolhendo um povo específico e habitando em meio a ele. Por meio de seu sacrifício, Cristo reúne definitivamente este povo em si, animado pelo Espírito Santo.
“É um grande sinal de esperança – sobretudo nos nossos dias, marcados por tantos conflitos e guerras – saber que a Igreja é um povo no qual, em virtude da fé, coexistem mulheres e homens de diferentes nacionalidades, línguas ou culturas: é um sinal colocado no próprio coração da humanidade, uma recordação e profecia daquela unidade e paz para as quais Deus Pai chama todos os seus filhos”, indicou o Santo Padre.
No dia 18 de março, Leão XIV ressaltou o papel dos batizados na vida da Igreja, manifestado no sacerdócio comum aos fiéis. A partir da unidade sustentada pelo Espírito, salientou que todos os cristãos são chamados a ser protagonistas da evangelização, segundo os dons recebidos.
“Dessa unidade, que o Magistério eclesial salvaguarda, resulta que cada batizado é um sujeito ativo da evangelização, chamado a dar um testemunho coerente de Cristo, segundo o dom profético que o Senhor infunde em toda a sua Igreja”, indicou o Papa.
Hierarquia na Igreja e papel dos leigos
A quinta catequese sobre a Lumen Gentium, realizada em 25 de março, aprofundou o terceiro capítulo da constituição, sobre a estrutura hierárquica da Igreja. O Pontífice observou que tal dimensão “opera ao serviço da unidade, da missão e da santificação de todos os seus membros”.
“A estrutura hierárquica não é uma construção humana, funcional à organização interna da Igreja como corpo social, mas uma instituição divina destinada a perpetuar a missão dada por Cristo aos apóstolos até ao fim dos tempos”, enfatizou o Santo Padre, frisando aspectos como o serviço e a caridade.
No dia 1º de abril, Leão XIV refletiu sobre o papel dos leigos, abordado no quarto capítulo do documento. Ele recordou que, por muito tempo, os leigos eram definidos como aqueles que não faziam parte do clero ou das pessoas consagradas, mas a Lumen Gentium apresentou uma nova visão: a de que os leigos também são chamados a dar continuidade ao testemunho e serviço de Cristo.
“A Igreja, de fato, está presente onde quer que os seus filhos professem e testemunhem o Evangelho: no trabalho, na sociedade civil e em todas as relações humanas, onde eles, com as suas escolhas, demonstram a beleza da vida cristã, que antecipa aqui e agora a justiça e a paz que serão plenas no Reino de Deus”, declarou o Papa.
Vocação à santidade e Maria como modelo
O quinto capítulo da Lumen Gentium, sobre a vocação de todos à santidade, foi aprofundado na catequese de 8 de abril. Nela, o Pontífice recordou que a santidade, segundo a constituição conciliar, não é um privilégio para poucos, mas um dom que compromete cada batizado a procurar a perfeição da caridade.
No dia 6 de maio, o Santo Padre refletiu sobre a dimensão escatológica da Igreja, abordada no capítulo VII da Lumen Gentium. Nesta catequese, frisou que a Igreja tem o Reino de Deus como fim de todo o seu agir, guardando a esperança que ilumina o caminho do Povo de Deus na história.
Por fim, na catequese de 13 de maio, Leão XIV falou sobre o último capítulo da Lumen Gentium, dedicado a Virgem Maria. O Papa explicou que, ao deixar-se moldar pela obra da graça e acolher o dom do Altíssimo com sua fé e amor virginal, Maria torna-se o modelo perfeito daquilo que toda a Igreja é chamada a ser: criatura da Palavra do Senhor e mãe dos filhos de Deus.
“Nela, o povo de Deus encontra representadas a sua origem, o seu modelo e a sua pátria. Na Mãe do Senhor, a Igreja contempla o seu próprio mistério, não só porque nela encontra o modelo da fé virginal, da caridade materna e da aliança esponsal a que é chamada, mas também e sobretudo porque reconhece nela o seu próprio arquétipo, a figura ideal daquilo a que é chamada a ser”, sinalizou o Pontífice.




