ABERTURA DO CONSISTÓRIO

Missão é razão de ser da Igreja, não só mais uma tarefa, ressalta Papa

No discurso de abertura do Consistório nesta sexta-feira, 26, Leão XIV refletiu sobre chamado de Deus para a Igreja na atualidade e pediu apoio dos cardeais

Da Redação, com Vatican News

A imagem ilustra o Papa Leão XIV, com suas habituais vestes pontifícias, discursando diante de um púlpito com microfone. Alguns cardeais acompanham suas palavras.

Papa Leão XIV durante o discurso de abertura do Consistório extraordinário / Foto: Vatican Media/IPA/Sipa USA via Reuters

Após a Missa de abertura do Consistório extraordinário nesta sexta-feira, 26, o Papa Leão XIV fez seu discurso de abertura na Sala Paulo VI. Nele, afirmou que a missão não é uma das muitas tarefas da Igreja, mas sua razão de ser, que se torna também o critério que orienta o discernimento de seus membros.

Aprende-se caminhando, ressaltou o Pontífice ao explicar os quatro temas “profundamente interligados” que guiarão os trabalhos do Consistório. “Não somos guardiões de interesses particulares”, recordou, “mas discípulos e testemunhas do Reino de Deus, chamados a ser, em Cristo, fermento de fraternidade universal”.

Os temas do Consistório

O primeiro tema citado pelo Santo Padre é contemplar o mundo no qual a Igreja é chamada a anunciar o Evangelho. Antes de se questionar o que fazer, é preciso deter-se diante da realidade, olhando-a com os olhos da fé e deixando-nos questionar pela escuta dos irmãos. Jesus habita os lugares da vida cotidiana, observou Leão XIV, e a Igreja é chamada a reconhecer a sua presença.

Em seguida, o Papa mencionou a reflexão sobre a cultura do poder e a civilização do amor. “Nenhum de nós está alheio às muitas formas de conflito, de opressão e de divisão que hoje atravessam nossas sociedades”, pontuou, “e por isso o discernimento que somos chamados a realizar diz respeito a todos e interpela a missão da Igreja em todos os contextos.”

O terceiro tema aprofunda a recém-publicada encíclica Magnifica Humanitas, conduzindo ao questionamento de como a Igreja pode contribuir para a construção do bem comum. “A Doutrina Social da Igreja nos lembra que o bem comum não surge espontaneamente, mas exige responsabilidades compartilhadas”, afirmou o Santo Padre — algo que se traduz em um estilo sinodal a serviço da missão do Reino.

Por fim, o último tema diz respeito à implementação do Sínodo. Leão XIV observou que a sinodalidade não é um conjunto de procedimentos, mas uma atitude, uma abertura, uma disposição à compreensão. “Não se trata de uma diminuição da autoridade; pelo contrário, ajuda a compreender mais profundamente o seu significado, que existe para guardar a comunhão, favorecer a participação de todos e orientar o caminho comum da Igreja”, salientou.

“Preciso do apoio de vocês”

Para o Papa, todos estes temas convergem em uma única pergunta: “como podemos ajudar hoje nossas Igrejas a anunciar o Evangelho com maior fidelidade, liberdade e credibilidade?”

Neste contexto, o Pontífice sublinhou que, à medida que aprende-se a ouvir uns aos outros, compartilhar responsabilidades e reconhecer a ação do Espírito, torna-se a Igreja mais capaz de ir ao encontro dos homens do tempo atual e de testemunhar a eles a alegria do Evangelho.

O Pontífice também pediu uma ajuda especial aos cardeais, ressaltando que o ministério que Deus o confiou não pode ser vivido sozinho. “Conto com vocês para que me ajudem a discernir o que o Espírito diz hoje à Igreja. Preciso do apoio de vocês: forte, explícito e público. Preciso sentir-me apoiado por vocês como irmãos”, expressou.

“Ajudem-me a ouvir o que surge nas Igrejas, a reconhecer os sinais de esperança que muitas vezes crescem no silêncio, mas também a não ignorar as dificuldades, as incompreensões e as resistências que podem retardar o caminho”, acrescentou o Santo Padre. “Preciso da liberdade de vocês, de sua franqueza e de sua lealdade. Um conselho sincero é sempre um ato de comunhão”, manifestou.

Comunhão é conversão diária

Leão XIV pediu ainda que os cardeais apoiem esse estilo de discernimento eclesial, que exige paciência e, às vezes, suscita questionamentos. “Estou convencido de que o Senhor está nos ensinando uma maneira mais evangélica de viver juntos a responsabilidade que nos confiou. Daí também depende a credibilidade do nosso testemunho e a fecundidade da nossa missão”, pontuou.

“A comunhão nunca é um resultado conquistado de uma vez por todas: continua sendo uma conversão diária, que se concretiza na oração e por meio de atitudes concretas, relações de confiança e disponibilidade para nos ouvirmos reciprocamente”, concluiu o Papa.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content