Em São Paulo, um Congresso promovido pela Conferência dos Religiosos do Brasil, a CRB, está refletindo o envelhecimento na vida religiosa e a formação de novas lideranças
Reportagem de Flavio Rogério e Antonio Matos
Duzentos religiosos reunidos na capital paulista para refletir os principais desafios da vida consagrada no Brasil. As primeiras reflexões foram conduzidas pelo padre Didi, missionário indiano que evangeliza no Brasil há 35 anos.
“Nós vamos abordar sobre o envelhecimento da vida religiosa, na vida religiosa e também das estruturas e das pessoas. E como nós podemos formar novas lideranças para apontar novos caminhos nessa sociedade também que envelhece”, contou da Congregação dos Missionários do Verbo Divino, padre Didi Matheus.
A Conferência dos Religiosos do Brasil tem como principal missão promover a comunhão entre membros de diversas congregações e institutos religiosos presentes no país. E é a primeira vez que a CRB debate temas assim. “Nós cuidamos muito bem dos nossos das pessoas idosas, os que estão nas nossas casas geriátricas, mas também reconhecer que muitas irmãs e muitos irmãos que já estão com seus mais de 60 anos, que ainda estão inteiramente na missão, se doando e se colocando a serviço da Igreja, do reino de Deus”, afirmou a presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil, irmã Maria do Desterro.
A Conferência dos Religiosos do Brasil lançou recentemente uma pesquisa nacional que pretende mapear a realidade da vida religiosa consagrada no Brasil. Após concluído, o levantamento vai ajudar nas reflexões levantadas durante o Congresso. “Saber onde estamos, o que estamos fazendo, como estamos realizando a nossa missão, quais as nossas esperanças, quais os desafios que nós estamos enfrentando no hoje para justamente com essa fotografia da nossa vida consagrada saber aonde precisamos investir mais, aquilo que é mais fraco, que nós precisamos olhar com todo o carinho para que possamos nos ajudar mutuamente”, retomou a irmã.
O diálogo entre as gerações, os desafios da formação de novas lideranças nas congregações e institutos e o surgimento de novas vocações também estão em pauta.
Tudo para que um plano de ação seja colocado em prática. “Então, a vida religiosa, ela tem muito a oferecer para os mais jovens. E os jovens podem aprender muito com os mais velhos. Então, como que a gente consegue integrar isso nas nossas comunidades, nas nossas paróquias, no nosso dia a dia, para que haja esse encantamento ou reencantamento dos mais jovens para com a vida consagrada, para que eles possam, se for essa a vontade de Deus, para cada um deles, possam corresponder esse chamado por meio da vocação, ingressando na vida consagrada”, pontuou o animador vocacional, Raylson Araujo.
“Essa diminuição de membros realmente tem sido uma dificuldade, mas não significa que isso é desanimador, nós temos que manter a esperança e o padre Didi também nos colocou muito sobre essa questão de mantermos uma esperança viva, fazendo da vida religiosa uma presença de amor, de fidelidade, uma presença transformativa”, concluiu Maruzania Soares, responsável pela Congregação Irmãs Escolares de Nossa Senhora.




