ENCONTRO COM MIGRANTES

Papa: “todos somos migrantes e peregrinos a caminho da pátria celestial”

Em Tenerife, Leão XIV se encontrou com migrantes em um centro de acolhimento e recordou herança missionária das Canárias, citando São José de Anchieta

Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV discursa aos migrantes do Centro de Acolhimento “Las Raíces” / Foto: Vatican Media/CPP/IPA/Sipa USA via Reuters

No último dia de sua viagem apostólica à Espanha, o Papa Leão XIV deslocou-se de Las Palmas de Gran Canaria para a ilha de Tenerife, onde terá seus últimos compromissos. Ao desembarcar, foi acolhido por autoridades locais e foi diretamente para o Centro de Acolhimento “Las Raíces”.

Trata-se de uma estrutura temporária para migrantes localizada em um antigo quartel militar no município de La Laguna. O centro é uma das principais instalações usadas para gerir os desembarques de emergência e foi alvo de intensos protestos e queixas por parte de organizações, ativistas e dos próprios migrantes, devido à superlotação e às precárias condições. No final de 2024, chegou a abrigar quase 4 mil pessoas.

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“O amor de Deus não conhece fronteiras”

Após ouvir alguns testemunhos, o Pontífice discursou em francês. Durante sua fala, recordou que a Igreja celebra nesta sexta-feira,12, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus — sinal do amor misericordioso e infinito de Deus por cada ser humano.

“Neste contexto, é providencial que possamos encontrar-nos, ver-nos e, acima de tudo, saber que o amor de Deus não conhece fronteiras, não faz distinções, é concedido a todos e nos congrega na unidade, independentemente da nossa origem”, afirmou o Santo Padre.

Leão XIV expressou que, ao olhar os rostos dos presentes e ouvir seus testemunhos, pensa também nos seus corações, “feridos por tantas dificuldades, mas igualmente consolados pelo amor recebido graças a outros corações abertos, generosos e misericordiosos”.

Dar o que tem e estar aberto a receber

Em seguida, o Papa citou ilustres missionários das Ilhas Canárias, inclusive São José de Anchieta. Conhecido como “Apóstolo do Brasil”, o jesuíta partiu do arquipélago espanhol para anunciar o Evangelho na América — assim, também ele foi migrante, dirigindo-se para o desconhecido e levando como bagagem a fé, a esperança e a caridade.

Naquelas terras desconhecidas, prosseguiu o Pontífice, os santos migrantes e missionários deram o que tinham e, ao mesmo tempo, acolheram o novo que lhes era oferecido. Diante disso, o Santo Padre convidou os presentes a fazerem o mesmo, oferecendo o tesouro de humanidade, sonhos e cultura que trouxeram de suas terras para as Ilhas Canárias e permanecendo abertos para receber tudo o que lhes é apresentado.

“Todos nós, de certa forma, somos migrantes. Todos somos peregrinos a caminho da pátria celestial. Ajudemo-nos uns aos outros a fazer desta travessia um lugar mais humano para todos, contribuindo com o que estiver ao alcance de cada um”, concluiu Leão XIV.

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