DISCURSO À IGREJA

Para cruzar o mar da vida é preciso estar unido a Cristo, aconselha Papa

Ao se reunir com membros da Igreja na Ilhas Canárias, Leão XIV observou que há diversos desafios no caminho rumo ao céu, mas é preciso abraçar a cruz do Senhor

Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Papa Leão XIV durante o encontro com membros da Igreja nas Ilhas Canárias / Foto: REUTERS/Yara Nardi

O Papa Leão XIV participou nesta quinta-feira, 11, de um encontro com os bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos, seminaristas e agentes pastorais da Igreja nas Ilhas Canárias. Na Catedral de Sant’Ana, o Pontífice refletiu sobre a caminhada humana rumo à eternidade e destacou a solidariedade cristã.

No início de seu discurso, o Santo Padre expressou sua alegria e gratidão pela acolhida que recebeu. Ele reafirmou que visita as Ilhas Canárias como “Pai e irmão na fé” e, iniciando a sua reflexão, ressaltou que cada um recebeu diversos dons e ministérios para a edificação do Corpo de Cristo.

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“Este é o apelo do Senhor que hoje reverbera novamente nos nossos corações e confirma a nossa vocação e missão: construir juntos a Igreja alicerçados em Cristo, a ‘pedra angular’, edificar no bem, harmonizar as nossas diferenças e trabalhar unidos em favor de todos”, frisou Leão XIV.

Abraçar a cruz de Cristo

O Papa refletiu sobre duas atitudes relacionadas à vida cristã para agir como “sábios arquitetos” na construção da “civilização do amor”: abraçar a cruz de Cristo e cultivar uma espiritualidade eucarística. Tomando a figura do mar, o Pontífice observou como este pode ser um símbolo de distância e separação, desafio e caminho a percorrer.

Neste contexto, recordou Santo Agostinho, que em um sermão apresentou o mar como um obstáculo a ser atravessado para chegar ao destino, que é a pátria celestial. “Para nos ensinar o caminho, veio o próprio para quem queríamos ir”, escreve o bispo de Hipona. “Ninguém é capaz de passar o mar deste mundo se não for levado pela cruz de Cristo”, salienta.

“Queridos irmãos e irmãs”, prosseguiu Leão XIV, “os santos sentiram a saudade de Deus e, ao terem de enfrentar as tempestades da existência, souberam levar Jesus nas suas barcas, confiaram n’Ele, abraçaram a cruz e acalmaram assim as ondas da incerteza e do medo. (…) A sua vida, transfigurada pela graça divina, estimula-nos a carregar a cruz de Cristo e a segui-lo, sendo testemunhas fiéis do Evangelho neste novo tempo da história, não isento de turbulências e contradições, para assim chegarmos à meta prometida”.

Cultivar uma espiritualidade eucarística

Quanto a cultivar uma espiritualidade eucarística, o Papa citou uma antiga tradição mantida na catedral: a chuva de pétalas de flores perante o Santíssimo Sacramento realizada no dia da Ascensão, como sinal dos bens espirituais e celestiais que o Senhor derrama ao subir ao céu.

“Esse gesto de devoção de tantas gerações ao longo do tempo possui um significado profundo: na nossa peregrinação, o destino final é o encontro com Cristo, que é o centro da vida cristã, diante de quem nos ajoelhamos em adoração, em torno de quem nos reunimos formando um só corpo e junto a quem nos oferecemos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus”, destacou o Pontífice.

Citando o Concílio Vaticano II, o Santo Padre enfatizou que “cultivar uma espiritualidade eucarística é mergulhar em uma espiritualidade da unidade eclesial no amor”. Uma forma concreta de manifestá-la, sinalizou, é a solidariedade cristã. “Por isso, encorajo-vos a continuar a oferecer a todos o amor que vós, por vossa vez, recebestes do Senhor, amor que se faz alimento no acolhimento, na escuta, na proximidade e no cuidado dos mais frágeis”, concluiu.

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