Leão XIV recebeu, em audiência, membros de Associações Católicas de Estudantes Alemães; a eles, enfatizou o compromisso com a identidade da fé católica
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV na Sala Paulo VI / Foto: REUTERS/Vincenzo Livieri
O compromisso com a identidade da fé católica, a comunhão e a busca da verdade foram três pontos destacados pelo Papa Leão XIV na audiência com um grupo das Associações Católicas de Estudantes Alemães nesta sexta-feira, 5. Mais de mil representantes da instituição estão reunidos em Roma para uma conferência, “a Cartellversammlung”, pela primeira vez fora da Alemanha.
“Queridos irmãos e irmãs, sejam bem-vindos! Herzlich willkommen!”, foram as palavras acolhedoras de Leão XIV, que refletiu sobre três aspectos para fortalecer ainda mais os laços de fraternidade e a dedicação comum à Igreja. Ele começou justamente pelo compromisso com a identidade católica.
“Perante o despotismo e as ideologias do passado, a fé católica nunca foi meramente uma fachada ou um rótulo, mas sim um modo de vida a ser partilhado nos ambientes universitários e de trabalho. Como fermento evangélico, a fraternidade de vocês continua a crescer nos contextos científico e político, bem como em vários círculos acadêmicos, profissionais e sociais. Essa dimensão comunitária das suas atividades beneficia não só o país de vocês, mas também toda a Europa, da qual a Alemanha é o centro.”
O Papa convidou os estudantes a estudar e a promover a “humanidade comum”, sobretudo diante dos desafios da revolução tecnológica. A pessoa humana, sempre relacional e limitada, é chamada a se tornar uma tarefa para si mesma e um dom para o outro, dando o melhor de si para ajudar a construir uma sociedade justa e pacífica, acrescentou o Pontífice.
A comunhão
Leão XIV abordou, então, o espírito de comunhão que anima os estudantes, enaltecido pelo lema que fala de unidade, liberdade e caridade. O Papa recordou a importância da relação das associações não se “limitar à partilha de conhecimento”, mas amadurecer em estima recíproca.
“Como todos vocês seguem Cristo, o único Senhor e Mestre da vida, vocês representam os valores católicos na sociedade não como portadores de bandeiras partidárias, mas como representantes do bem comum da humanidade. Na Alemanha, na Itália e em todo o mundo, a mesma fé católica fortalece nossa cooperação, sem ceder às tendências do momento, sem colocar as preferências individualistas à frente da Tradição comum da Igreja.”
Testemunhar o humanismo cristão
Por fim, o Santo Padre abordou a busca pela verdade percorrida pelas associações através das atividades culturais em vários campos de estudo e trabalho. Uma vocação, disse ele, que exige autodisciplina e conversão.
“Ao dar o nosso melhor, tornamo-nos administradores responsáveis na sociedade, sem nos deixarmos seduzir por carreiras centradas no dinheiro. Reconheçamos, em vez disso, que a cultura é o bem da humanidade: a verdade nos liberta, enquanto a falsidade distorce nomes e coisas. Diante do que desumaniza as pessoas – especialmente os pequenos, os pobres ou os doentes –, peço-lhes que sejam testemunhas do humanismo cristão.”
A esse respeito Leão XIV recordou em discurso dois dos seus predecessores que trataram sobre o tema. Um deles, Bento XIV, inclusive um “ilustre ex-membro da associação”, exortou a desenvolver uma “ecologia do homem” coerente. Já o Papa Francisco, ao conceituar a ecologia integral, mostrou que o mundo está repleto de sentido e não é uma entidade inerte a ser moldada arbitrariamente ou pela sede de poder.
“Não é apesar de nossas atividades, portanto, mas precisamente por meio do que fazemos que desenvolvemos uma relação com Deus, que se torna um caminho para a santidade. Sim, a missão cultural dos cristãos é orientar a sociedade e a história para esse ápice de uma vida centrada em Deus.”




