Leão XIV recebeu o Catholicos da Cilícias dos Armênios nesta segunda-feira, 18, e frisou, em seu discurso, a busca pela unidade das Igrejas
Da Redação, com Vatican News

Foto: Maria Grazia Picciarella/SOPA Images via Reuters Connect
O Papa Leão XIV recebeu em audiência nesta segunda-feira, 18, Sua Santidade Aram I, Catholicos da Cilícia dos Armênios. O Catolicato da Cilícia está sediado em Antelias, no Líbano.
“Que a graça e a paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam com vocês”, saudou o Pontífice. “A São Paulo, o Apóstolo por excelência da comunhão entre as Igrejas, confio a peregrinação de vocês a Roma”, acrescentou, no início de seu discurso.
O Santo Padre também recordou São Nerses, o gracioso, que foi Catholicos da Cilícia e é considerado o pioneiro do ecumenismo. Recentemente incluído no Martirológio Romano, o santo armênio foi citado como um exemplo do “ecumenismo dos santos” que já une as Igrejas.
Histórico das relações
De acordo com Leão XIV, o Catolicato da Cilícia caracteriza-se pela sua vocação ecumênica, particularmente no que diz respeito à Igreja de Roma. “Essa relação especial entre as nossas Igrejas, que foi particularmente intensa na Idade Média, sofreu novos desdobramentos no século XX, especialmente depois do Concílio Vaticano II”, sublinhou.
Nesse contexto, o Papa recordou que o Catholicos Khoren I foi o primeiro primaz de uma Igreja Ortodoxa Oriental a visitar Roma após o Concílio, em maio de 1967. Ele também afirmou que Aram I distingue-se pelo seu zelo incansável, tanto no âmbito local, como um dos fundadores do Conselho de Igrejas do Oriente Médio, quanto no âmbito internacional, no Conselho Mundial de Igrejas.
O Pontífice agradeceu ao líder libanês por seus esforços em fomentar relações com a Igreja Católica e por sua proximidade à Igreja de Roma. Aram I visitou, pela primeira vez, como Catholicos durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em 1997, e se fez presente em numerosas ocasiões desde então.
“Agradeço-lhe em particular pelo seu compromisso pessoal na promoção do diálogo teológico entre as nossas Igrejas, que teve início em 2003 no âmbito da Comissão Internacional Conjunta para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais”, expressou o Santo Padre.
Preocupação com o Líbano
Leão XIV frisou ainda que o diálogo entre as Igrejas, que conta com a valiosa contribuição dos delegados armênios, já publicou três importantes documentos sobre a natureza e a missão da Igreja, sobre a comunhão na Igreja primitiva e sobre os sacramentos. “Espero sinceramente que, apesar das recentes dificuldades, este diálogo continue com renovado vigor, pois não pode haver restabelecimento da comunhão entre as nossas Igrejas sem unidade na fé”, exprimiu.
Diante disso, o Papa recordou sua recente viagem ao Líbano no final do ano passado. “Esta terra, tão querida para mim, que há muito demonstra ao mundo inteiro que é possível que pessoas de diferentes culturas e religiões vivam juntas como uma só nação, continua enfrentando difíceis provações”, reconheceu.
“Num momento em que a unidade e a integridade de seu país estão mais uma vez ameaçadas”, prosseguiu o Pontífice, “as nossas Igrejas são chamadas a fortalecer os laços fraternos que unem os cristãos não só entre si, mas também aos seus irmãos e irmãs de outras comunidades na sua pátria comum”.
Finalizando seu discurso, o Santo Padre assegurou suas orações pelos libaneses e pelas Igrejas do Oriente Médio. A audiência incluiu ainda uma conversa privada, seguida da apresentação da delegação armênia da Cilícia, da troca de discursos e presentes e, por fim, de um momento de oração conjunta na Capela Urbano VIII.




