Em um apelo em prol das vítimas inocentes da guerra, Cardeal Gugerotti incentiva Coleta para a Terra Santa para ajudar as comunidades dos lugares santos
Da redação, com Vatican News

Foto: Reprodução youtube CMC
O prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais, Cardeal Claudio Gugerotti, escreveu uma carta motivando a coleta em prol da Terra Santa, realizada todos os anos na Sexta-feira Santa. A carta foi publicada nesta segunda-feira, 16, pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
“A Coleta para a Terra Santa, com a inestimável ajuda cotidiana dos nossos franciscanos e de todos os que animam e trabalham nas comunidades locais, será uma gota no oceano; mas um oceano que perde gotas está se a tornar-se um deserto”. Com essa metáfora, o Cardeal Gugerotti, se une ao apelo do Custódio da Terra Santa, Frei Francesco Ielpo, pedindo aos fiéis da Igreja Católica para que contribuam com a coleta de ofertas para os lugares santos.
Em carta divulgada aos bispos do mundo, o cardeal Gugerotti faz uma reflexão sobre “as feridas” atuais diante de acordos que se multiplicam e armas que não se calam, pessoas que morrem e emigram para salvar a própria vida. Um discurso que parece “se repetir ano após ano” pela esperança que vem de Deus e em prol da Custódia da Terra Santa, “que há tanto tempo zela pelos lugares que marcaram a vida do Senhor Jesus”.
Um gesto importante para todos
“Nunca nos esqueçamos de rezar, porque Deus é a nossa esperança. Mas venho agora propor-te um pequeno gesto”, escreveu o cardeal: “dar um pouco do nosso dinheiro para ajudar os irmãos e as irmãs em perigo extremo a viver mais um dia, a reencontrar a possibilidade de esperar e de recomeçar. É um gesto importante para eles”, explicou ele, mas também para nós, “porque nos ajuda a compreender que, sem sacrifício e sem uma mudança na nossa existência, permanecemos inertes neste mundo em chamas e, portanto, cúmplices daqueles que o incendeiam”.
A contribuição, que deve ser feita precisamente na Sexta-feira Santa, é motivada inclusive pelos Papas, disse o prefeito, “porque estão convencidos de que só na paternidade, na partilha e na amizade solidária se pode reconstruir uma realidade que volte a ter um rosto humano e a refletir o projeto de humanidade desejado por Deus no ato da criação”.
O gesto de solidariedade ajuda diretamente os “muitos cristãos da Terra Santa que perderam tudo, incluindo o trabalho que vinha do serviço aos peregrinos”, que evitam se aventurar por aqueles lugares por medo. A contribuição, se não garante a segurança, ao menos é direcionada para que escolas voltem a funcionar, casas sejam construídas e, “onde a destruição é total, alguns cuidados poderão ser assegurados”.
O dever de cuidar da Terra Santa
O cardeal Gugerotti orientou os bispos a sensibilizar os cristãos da melhor maneira sobre “o nosso dever de cuidar da Terra Santa, assim como de tantos outros lugares devastados”, através de diferentes instrumentos disponíveis, “a começar pelo apelo dos Papas e dos dedicados pastores locais”:
“Procuremos fazer com que o nosso povo chegue à Coleta consciente de que dar é um forte sinal de fé; de que uma Terra Santa sem crentes é uma terra perdida, porque se perde a memória viva, isto é, a continuidade com a fonte da salvação que nos regenerou em Cristo. Exorta, convence, desperta as consciências, chama-as à solidariedade deste único Corpo de Cristo que é a Igreja, estendida por todas as terras do mundo.”
O cardeal recordou que muitas vezes visitou pessoalmente essas minorias cristãs da Terra Santa, que todos os dias acordam com o “perigo de não encontrar mais espaço para existir”, escreveu. Por isso o apelo para ajudar “a dar-lhes uma esperança concreta e não apenas palavras de consolação, porque nós, que os visitamos, sabemos que partiremos, enquanto eles permanecem com os seus medos – até mesmo com o terror de que, precisamente por serem cristãos, possam ser eliminados”, afirmou.




