MENSAGEM

Papa sobre abusos na Igreja: ouvir as vítimas é ato de justiça e verdade

Leão XIV enviou mensagem a congresso organizado pelo Centro de Pesquisa e Formação para a Proteção do Menor

Da Redação, com Vatican News

A imagem em preto e branco ilustra uma jovem sentada sobre um sofá, com as pernas recolhidas e os braços apoiados sobre os joelhos, escondendo seu rosto entre eles.

Foto: Canva

O Papa Leão XIV enviou uma mensagem ao V Congresso Latino-americano do Centro de Pesquisa e Formação para a Proteção do Menor (Ceprome). O evento, realizado entre os dias 3 e 5 de março, na Costa Rica, reúne cerca de 500 participantes de 21 países da América Latina e tem como tema “Reparar o dano: entre a fé que sustenta, o cuidado que acompanha e a justiça que restaura”.

O objetivo do congresso é fortalecer a cultura do cuidado, prevenir abusos e garantir a proteção integral de menores e pessoas vulneráveis dentro da Igreja. Neste contexto, o Pontífice acolheu com satisfação o caminho empreendido para combater esse mal “que toca uma das feridas mais profundas e dolorosas do Corpo de Cristo”.

Tal caminho, pontuou o Santo Padre no texto, é um “autêntico sinal de renovação” e um compromisso concreto para com as vítimas e a própria Igreja. “Não se trata de um campo especializado, reservado a poucos especialistas”, escreveu, “mas de uma dimensão essencial da missão evangelizadora da Igreja, que interpela a consciência de cada pastor e de cada comunidade eclesial”.

Verdadeira conversão

O caminho de reparação ao qual a Igreja é chamada não pode se reduzir a uma série de cumprimentos formais. Pelo contrário, exige uma verdadeira conversão à justiça: pessoal, pastoral e institucional.
– Papa Leão XIV

Leão XIV agradeceu em particular à Conferência Episcopal da Costa Rica, presente com representantes de diferentes dioceses, pelo testemunho de comunhão, corresponsabilidade e proximidade pastoral. Ele insistiu no fato de que a reparação não pode se limitar a normas e protocolos, mas requer uma profunda conversão e, nesse processo, os representantes das Igrejas locais têm uma “responsabilidade particular e indelegável”.

Não se trata de apenas garantir procedimentos adequados, mas também abraçar pessoalmente uma cultura de cuidado capaz de prevenir abusos, ouvir as vítimas e testemunhar a ternura de Cristo, “transformando as feridas em luzes de esperança”. Os ensinamentos aprendidos nos últimos anos, observou o Papa, demonstram que quando os bispos e superiores maiores integram esse compromisso em seu ministério, a Igreja se torna “mais credível, mais humana e mais evangélica”.

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Importância da escuta

O Pontífice ressaltou também que a escuta é um ponto central. “Ouvir as vítimas não é um gesto opcional, mas um ato de justiça e verdade”, enfatizou, acrescentando que da escuta nascem políticas credíveis, processos de reparação completos, estruturas e mecanismos de responsabilização.

“Na Igreja, a reparação não pode ser separada nem da misericórdia nem do respeito à lei, mas também não pode se reduzir apenas a isso. Requer uma visão eclesial clara, fundamentada na verdade, na assunção de responsabilidades e em um acompanhamento perseverante ao longo do tempo”, apontou o Santo Padre. Ele reconheceu que este é um caminho exigente e que requer decisões corajosas e firmes, lembrando que cada passo autêntico em direção à verdade e à reparação já é um sinal de esperança para a Igreja e para o mundo.

Neste contexto, o Ceprome é chamado a ser não apenas um centro de formação, mas um verdadeiro espaço de convergência eclesial, capaz de acompanhar as Igrejas particulares em um processo contínuo de amadurecimento.

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