Após o Angelus, Leão XIV expressou “tristeza e preocupação” com a mais recente onda de ataques mortais na Nigéria, que já ceifaram centenas de vidas
Da redação, com Vatican News

Vista da destruição após ataques realizados por grupos armados nas áreas de Woro e Nuku, no estado de Kwara, Nigéria / Foto: Anadolu via Reuters Connect
A população da Nigéria, que tem sofrido sistematicamente com uma onda de violência e sequestros, também está nas orações do Papa Leão XIV. Ao final da oração mariana do Angelus deste domingo, 8, o Pontífice recordou de comunidades inteiras que têm sido abaladas pela insegurança por causa de dezenas de grupos armados locais que lutam por território.
“É com dor e preocupação que tomei conhecimento dos recentes ataques contra várias comunidades na Nigéria, que causaram graves perdas de vidas humanas. Expresso minha proximidade em oração a todas as vítimas da violência e do terrorismo. Espero que as autoridades competentes continuem trabalhando com determinação para garantir a segurança e a proteção da vida de todos os cidadãos.”
Só no início da semana, as autoridades locais disseram que a Nigéria viveu um dos piores massacres dos últimos meses, quando 175 pessoas foram mortas num dramático atentado nas aldeias de Woro e Nuku, no estado de Kwara, na fronteira com o estado do Níger. A região está sendo cada vez mais afetada por incursões armadas, sequestros e saques de gado. Durante o ataque, grupos armados também incendiaram casas e saquearam lojas, devastando a aldeia. Já no estado de Kaduna, nos últimos três dias, pelo menos 51 pessoas foram sequestradas e 6 foram mortas. A região, de maioria cristã, segundo fontes dos serviços de segurança nigerianos citadas pela agência de notícias AFP, seria a mesma onde em janeiro mais de 180 pessoas foram sequestradas e depois libertadas nos últimos dias.
Na comunidade católica de Karku, homens armados sequestraram 11 pessoas, incluindo um padre, e mataram outras 3, na área do governo local de Kajuru. A arquidiocese católica de Kafanchan confirmou o sequestro de um sacerdote: trata-se do Pe. Nathaniel Asuwaye, pároco da Igreja da Santíssima Trindade de Karku, na área de Kajuru. O ataque, conforme confirmado em um comunicado da arquidiocese, ocorreu por volta das 3 da madrugada entre sexta e sábado em sua residência e também causou a morte de três pessoas no que foi definido por testemunhas como “uma invasão por um grupo de terroristas”.
Reforço das medidas de segurança
Na sequência desta devastadora série de ataques, o presidente nigeriano, Bola Tinubu, enviou um batalhão para o estado de Kwara, onde aconteceu o massacre de 175 pessoas e onde o exército tinha recentemente conduzido operações contra os chamados “elementos terroristas”. Nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo ataque definido pelo presidente como “brutal”, mas o governo estadual acusou “células terroristas” e o presidente Tinubu atribuiu a responsabilidade aos jihadistas do Boko Haram. Segundo o chefe de Estado nigeriano, o ataque teria sido realizado contra os habitantes da aldeia que rejeitaram a ideologia dos jihadistas.
“Continuemos a rezar pela paz. As estratégias de poder econômico e militar — como nos ensina a história — não dão futuro à humanidade. O futuro está no respeito e na fraternidade entre os povos.”




