Refletindo sobre as palavras de Jesus após as Bem-aventuranças, o Bispo de Roma destacou como o encontro com Jesus traz verdadeira alegria, sabor e luz à vida
Da redação, com Vatican News

Da janela do apartamento pontifício, Leão XIV celebrou, junto aos fiéis na Praça São Pedro, o Angelus deste domingo, 8 / Foto: Vatican Media – IPA – Sipa USA via Reuters Connect
Em sua mensagem do Angelus à multidão reunida na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV refletiu sobre as palavras de Jesus após a proclamação das Bem-aventuranças. No Evangelho, Ele não se limita a enumerar as oito Bem-aventuranças, mas, em seguida, “dirige-se àqueles que as praticam, dizendo que, graças a elas, a terra já não é a mesma e o mundo já não está em trevas”.
O Sucessor de Pedro explicou que a verdadeira alegria dá sabor e luz às partes sombrias da vida. “Essa alegria brota de um modo de vida, um modo de habitar a terra e de viver em comunidade que deve ser desejado e escolhido”, observou. Esse novo modo de vida resplandece em Jesus, em suas palavras e em seus atos.
Uma vez que uma pessoa encontra Jesus, pobre de espírito, manso, simples de coração e sedento de justiça, ela não pode retornar a uma vida insípida e monótona. “A misericórdia e a paz, como poderes de transformação e reconciliação”, são reveladas nesse encontro.
Uma luz na escuridão
No Livro do Profeta Isaías, o Bispo de Roma enumerou maneiras concretas de superar a injustiça: “repartir o pão com os famintos, acolher os pobres e desabrigados em nossas casas, vestir aqueles que vemos nus, sem negligenciar nossos vizinhos e os de nossa própria casa”.
Tendo realizado essas ações, o profeta diz: “então a vossa luz romperá como a aurora, e a vossa cura brotará rapidamente” (58,8). O Santo Padre destacou a profundidade dupla dessa frase. Por um lado, há uma luz que não pode ser escondida, pois, como o sol, dissipa as trevas; e, por outro lado, uma ferida que antes ardia está sendo curada.
Ele conhece nossos nomes
“É doloroso perder o sabor e renunciar à alegria”, observou o Papa Leão XIV, “mas é possível ter essa ferida no coração”. Na passagem do Evangelho, Jesus parece oferecer um aviso àqueles que o ouvem para que não desistam. Ele diz que o sal que perdeu o sabor “não serve para nada, mas é jogado fora e pisoteado”.
Quantas pessoas, refletiu o Santo Padre, “talvez nós mesmos, nos sintamos inúteis ou quebradas. É como se a nossa luz tivesse sido escondida”.
No entanto, Jesus oferece uma proclamação de esperança: Deus nunca nos rejeitará. Ele conhece nossos nomes e se importa com a nossa singularidade. “Toda ferida, mesmo a mais profunda, será curada ao acolhermos a palavra das Bem-aventuranças e ao nos reconduzirmos ao caminho do Evangelho”, enfatizou o Papa.
Reacendendo a nossa alegria
Ações concretas de abertura e atenção para com os outros ajudarão a reacender a alegria na vida. Contudo, ele argumentou que, em “sua simplicidade, tais gestos nos colocam em desacordo com o mundo”. Jesus foi tentado no deserto a trilhar caminhos diferentes e afirmar a sua identidade. Mas Ele rejeitou os caminhos que o levariam a “perder o seu verdadeiro sabor, aquele que encontramos todos os domingos no Pão partido, que é uma vida dada e um amor silencioso”. Em seu discurso de encerramento, o Papa Leão XIII encorajou a todos a serem “nutridos e iluminados pela comunhão com Jesus”. Sem arrogância, explicou: “Seremos então como uma cidade situada sobre um monte, não apenas visível, mas também convidativa e acolhedora: a cidade de Deus onde todos, no fundo, desejam viver e encontrar paz”.
Por fim, o Pontífice exortou todos os presentes na Praça a confiarem suas orações a Maria, Porta do Céu, para que ela os ajude a “tornar-se e permanecer discípulos de seu Filho”.




