A Missão Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas emitiu uma declaração alertando para os riscos da negação da liberdade fundamental de crença
Da redação, com Vatican News

Painel das Nações Unidas / Foto: Reprodução Reuters
Em 16 de março, na sede da ONU em Nova Iorque, a Missão Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas emitiu uma declaração no evento de alto nível que marcou o Dia Internacional de Combate à Islamofobia.
A declaração começou por saudar a iniciativa de dedicar o evento ao combate à islamofobia e por expressar a gratidão da Delegação da Santa Sé à Aliança das Civilizações das Nações Unidas e à Missão Permanente de Observação da Organização da Cooperação Islâmica junto às Nações Unidas pela organização do evento de alto nível.
Uma lenta deterioração dos laços
A declaração da Santa Sé destacou como os “crescentes casos de intolerância, discriminação e hostilidade contra muçulmanos, judeus, cristãos e seguidores de outras religiões tradicionais” são resultado da falha em reconhecer e defender “o direito à liberdade de religião ou crença”.
Este direito, argumentou a declaração, não é opcional. Pelo contrário, é uma “pedra angular de qualquer sociedade justa”. A declaração fez referência à advertência do Papa Leão XIV em seu discurso à delegação de “Ajuda à Igreja que Sofre” (10 de outubro de 2025), de que quando a liberdade é negada, a pessoa humana “é privada da capacidade de responder livremente ao chamado da verdade”.
Como resultado, enfatizou o Papa, há uma lenta deterioração dos laços éticos e espirituais que sustentam as comunidades — “a confiança dá lugar ao medo, a suspeita substitui o diálogo e a opressão gera violência”.
Tanto os indivíduos quanto as sociedades são afetados.
A persistência da islamofobia no mundo, prossegue a declaração, é um forte lembrete da necessidade urgente de defender a liberdade religiosa. A violência e a discriminação contra os muçulmanos prejudicam mais do que indivíduos.
O que também é afetado é “o tecido espiritual, moral e social das sociedades em geral, enfraquecendo os laços de confiança e solidariedade de que a humanidade tanto precisa no atual contexto internacional”.
Hoje, essa discriminação é amplificada online, “onde narrativas hostis podem se espalhar rapidamente e moldar a percepção pública”. Para combater isso, a declaração da Santa Sé pediu melhores programas educacionais, especialmente dedicados à alfabetização digital e ao desenvolvimento do pensamento crítico e ao cultivo da liberdade de espírito.
Para concluir, a declaração voltou-se mais uma vez para as palavras do Papa Leão XIII — desta vez, para o seu discurso em comemoração ao sexagésimo aniversário da Nostra Aetate, em 28 de outubro de 2025. O Santo Padre enfatizou que o diálogo não é uma ferramenta ou tática, “mas um modo de vida — uma jornada do coração que transforma todos os envolvidos, quem ouve e quem fala”.
Isto, explicou a Missão Permanente da Santa Sé junto das Nações Unidas, requer um verdadeiro diálogo inter-religioso, “permitindo que as diferenças se tornem uma fonte de enriquecimento em vez de divisão e garantindo que nenhuma religião seja explorada ou instrumentalizada”.
Contra a islamofobia
Nos últimos anos, os dados têm revelado um aumento da islamofobia. Um relatório da Agência da UE para os Direitos Fundamentais, de 2025, indicou que um em cada dois muçulmanos na UE sofreu discriminação racial, sobretudo nos mercados de trabalho e imobiliário.
Celebrado anualmente em 15 de março, o Dia Internacional de Combate à Islamofobia foi realizado pela primeira vez em 2022, após a Assembleia Geral da ONU adotar uma resolução patrocinada por 60 Estados-membros da Organização de Cooperação Islâmica.
O evento de alto nível deste ano teve como tema “Das Normas à Ação: Combatendo a Islamofobia e a Discriminação Baseadas em Religião ou Crença – A Relação com os Direitos Humanos”.




