INUNDAÇÕES

Rio Grande do Sul revive a memória das enchentes de 2024

Recorde como a solidariedade humana moveu e transformou o estado depois de tragédias

No Rio Grande do Sul, a tragédia provocada por inundações e deslizamentos de terra completou dois anos. E o que foi vivido naquele tempo, ainda faz o povo gaúcho conjugar dois verbos importantes para sobrevivência: cooperar e superar.

Reportagem de Wallace Andrade
Imagens de arquivo

 

Uma tragédia assim é sempre difícil de ser esquecida. De Estância Velha, região metropolitana de Porto Alegre, nosso correspondente Tomás Guaresi ainda lembra cada drama vivido pelos gaúchos.

“As estradas estavam todas bloqueadas e as pontes quebradas, enfim, foi tenso também nisso, porque a gente tinha que montar, contar a história e não podia sair muito do lugar. Era também a primeira vez que eu fazia uma cobertura dessa magnitude”, recordou de Estância Velha(RS), Tomas Guarese. 

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o CEMADEM, calculou o tamanho desse drama que começou no dia 30 de abril de 2024.

As enchentes devastaram 478 das 497 cidades do Rio Grande do Sul. 2.400.000 pessoas tiveram que deixar as casas. 184 morreram e mais de 800 ficaram feridas. Em todo o estado foram 15.087 deslizamentos de terra. 

Nas cidades atingidas, água e lama levaram pelo menos 30 dias para secar. Parecia impossível ver a capital e as cidades da região metropolitana de Porto Alegre superarem tamanha tragédia. Só que hoje, dois anos depois, o que se vê é que o povo gaúcho soube aproveitar muito bem dois frutos saborosos da solidariedade, a cooperação e a superação. 

Nos dias atuais, nosso repórter em terras gaúchas também sente os belos efeitos dessa ação que em 2024 mobilizou toda a nação brasileira. “As pessoas ajudando pessoas. O amar ao próximo foi uma coisa que se viu muito no no período de 2024. E com esse amar ao próximo, foi possível ver uma união muito grande entre pessoas que se conheciam, que não se conheciam, amizades que surgiram”, expressou ele. 

Em Novo Hamburgo, padre Gilberto Mallmann foi buscar na arte uma forma de celebrar a história da igreja e a superação de seus paroquianos. É ele quem anuncia o concerto da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, no interior da paróquia. “Aqui hoje, meus queridos, não há distância entre o erudito e o simples, mas há um encontro. A todos que colaboraram com a reconstrução da nossa comunidade, com doações, gestos concretos e solidariedade. Nosso muito obrigado”, agradeceu o padre. 

Fundada em 1950, a orquestra gaúcha é considerada a mais antiga do país em atividades ininterruptas. Solistas e coro sinfônico, sob a regência do maestro Diego Biasibetti executaram a paixão, segundo o São João de Johann Sebastian Bach. 

Cada peça executada revela as dores de Cristo, mas para cada um que participou do conserto existe uma certeza. Depois das dores de uma paixão, existe ressurreição, que para cada gaúcho também pode ser chamada de superação.

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