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Moçambique

Religiosa descreve a dramática situação humanitária em Cabo Delgado

Região de Cabo Delgado, ao norte de Moçambique, sofre com ataques terroristas; há milhares de mortos e mais de 400 mil deslocados

Da Redação, com Fundação AIS- ACN Portugal

População de Cabo Delgado sofre com agravamento de ataques terroristas / Foto: ACN Portugal

Segue dramática a situação da população na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, com o agravamento dos ataques terroristas. A Irmã Blanca Nubia Zapata Castaño, da Congregação das Carmelitas Teresas de São José, descreve a grave situação humanitária da região: “Não posso calar mais este grito de dor e indignação”.

Irmã Blanca publicou uma mensagem no último domingo, 15: uma denúncia e um pedido de ajuda. Ela destaca a crueldade com que as pessoas estão sendo despejadas de suas próprias terras e despojadas do dom da vida.

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O povo vem sofrendo há três anos, acrescenta a religiosa, com os ataques de grupos armados que reivindicam pertencer ao Daesh, o Estado Islâmico. Estão “cheias de medo e espanto”, sendo obrigadas a dormir “ao relento, escondendo-se entre arbustos, vendo as suas precárias casas a serem queimadas, sofrendo de fome e sede”.

O sofrimento local e a indiferença externa

A irmã se questiona como este conflito, que começou aparentemente por ser uma questão tribal, ganhou tal dimensão. E pergunta como é possível “a passividade e indiferença daqueles que têm a obrigação de salvaguardar e proteger o povo”.

“Hoje, toda a região norte da província está praticamente tomada pelos terroristas, que regam a seca terra com o sangue inocente de um povo que só pede uma coisa: queremos viver em paz! Pobres mas livres.”

Os ataques terroristas a Cabo Delgado tiveram início em Outubro de 2017 mas têm aumentado de intensidade especialmente desde Janeiro deste ano. Mocimboa da Praia – que está ocupada pelos terroristas desde agosto passado – Quissanga, Macomia e Muidumbe têm sido palco dos ataques dos terroristas ou insurgentes, como localmente também são conhecidos.

Segundo irmã Blanca, o conflito já deixou milhares de mortos, incontáveis desaparecidos e sequestrados, e mais de 400 mil pessoas deslocadas na cidade de Pemba e nos distritos e províncias vizinhas.

“Milhares de homens e mulheres com a dor marcada nos seus rostos e com os seus pequenos filhos nos braços, desfalecidos de fome. Alguns ficaram no caminho. Anciãos, viúvas, órfãos, doentes, percorrendo a pé inúmeros quilômetros… Mulheres grávidas, algumas dando à luz nas estradas poeirentas. Adolescentes e jovens vagueando pelos montes, desconhecendo o paradeiro de seus entes queridos. Outros fogem para o mar desprovidos de segurança. Muitos morreram em naufrágios inevitáveis.”, relata a religiosa.

Ajuda da AIS

A Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) tem denunciado esta situação que se deteriora a cada dia. Na semana passada, a entidade decidiu apoiar as dioceses envolvidas no acolhimento aos deslocados com uma ajuda de emergência no valor de 100 mil euros.

É uma ajuda que, como explicou Regina Lynch, chefe de Departamento de Projetos da Fundação AIS a nível internacional, “procura aliviar o sofrimento e trauma” destas populações que têm sido vítimas da violência mais brutal. Regina recorda o rastro de destruição e medo causado pelos terroristas desde Outubro de 2017 quando começaram os ataques.

Tal como a Irmã Blanca, também Regina lembra a quase total indiferença com que a comunidade internacional tem lidado com esta situação. “Queimaram igrejas e destruíram conventos, e também raptaram duas irmãs religiosas. Mas quase ninguém prestou atenção a este novo foco de terror e violência jihadista na África, que está afetando todos, tanto cristãos como muçulmanos. Esperemos que haja finalmente uma resposta a esta crise no norte de Moçambique, em nome dos mais pobres e mais abandonados”.

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