Inteligência artificial passa a ser usada para fiscalizar médicos brasileiros

Tecnologia reforça combate ao exercício ilegal da medicina

Uma nova plataforma de inteligência artificial promete ampliar a fiscalização na realização de consultas e procedimentos médicos. A ferramenta deve buscar informações de diversos bancos de dados, inclusive de anúncios em redes sociais.

Reportagem de Francisco Coelho e Ersomar Ribeiro

 

A investigação sobre a atuação de falsos médicos em um hospital privado de São Paulo acendeu um alerta para os riscos do exercício ilegal da medicina. Segundo a Polícia Civil, um biomédico e um instrumentador cirúrgico teriam atendido pacientes durante cerca de 2 anos, utilizando documentos falsos para se passar por médicos. O caso passou a ser investigado após a morte de pacientes que foram atendidos na unidade de saúde. 

O novo sistema implementado pelo Conselho Federal de Medicina cruza dados de diversas plataformas para coibir casos como o de São Paulo. A ferramenta também faz uma busca minuciosa nas redes sociais com anúncios e postagens sobre procedimentos médicos irregulares.

“Estamos colocando a inteligência artificial a serviço da fiscalização para aumentar a eficiência, ampliar o alcance das ações e oferecer respostas mais rápidas às demandas da sociedade”, ressaltou o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo. 

Um levantamento do Conselho Regional de Medicina de São Paulo mostra um aumento de 90% nas denúncias de atuação de profissionais sem qualificação em cirurgias estéticas ao longo de 2025. A expectativa é que a nova plataforma permita identificar indícios de irregularidades com mais rapidez e direcionar as ações de fiscalização dos conselhos regionais. 

“Aquilo que está nas redes sociais poderá agora ser buscado e homologado por um humano. Isso vai aumentar a velocidade e a agilidade e a resposta aos problemas fiscalizados”, reforçou o vice- presidente do CFM, Jeancarlo Cavalcante.

Ferramentas de inteligência artificial estão cada vez mais presentes na sociedade. Sobre esse cenário, o Papa Leão XIV defende o uso responsável da tecnologia para proteger a dignidade humana e preservar os dons recebidos de Deus. 

Na encíclica Magnífica Humanitas, o Pontífice pede que a inteligência artificial seja liberta das lógicas que a transformam em instrumento de domínio, exclusão ou morte e colocada a serviço do bem comum.

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