EM BUSCA DA PAZ

Bispo Daibes: Pressão internacional precisa proteger a Terra Santa

O Administrador Apostólico da Somália chama a atenção para a região e pede pressão internacional e diplomática para proteger os palestinos na Terra Santa

Da redação, com Vatican News

O Bispo Jamal Daibes, Bispo do Djibuti e Administrador Apostólico da Somália / Foto: Reprodução Facebook

O Bispo Jamal Daibes, Bispo do Djibuti e Administrador Apostólico da Somália, afirma que a comunidade internacional deve exercer pressão diplomática para deter os ataques e a violência contra os palestinos na Terra Santa.

Em entrevista ao Vatican News, em Roma, após um encontro com o Papa Leão XIV e os bispos de rito latino das regiões árabes, ele alertou que o medo e a violência estão levando os palestinos a considerar deixar uma terra onde os cristãos vivem desde os primórdios da Igreja.

“Trata-se de dignidade humana. Trata-se de vida humana. Trata-se de viver em liberdade.”

Para o Bispo Daibes, o conflito na Terra Santa não pode ser reduzido a reivindicações políticas concorrentes. Em sua essência, diz ele, a questão é se as pessoas podem permanecer em sua terra natal e viver ali com dignidade, segurança e liberdade.

O Bispo do Djibuti e Administrador Apostólico da Somália falou após uma audiência com o Papa Leão XIV e membros da Conferência dos Bispos Latinos das Regiões Árabes (CELRA), cuja reunião anual reúne bispos que servem comunidades em toda a Terra Santa, no Oriente Médio, no Golfo e no Chifre da África.

Os bispos vêm de realidades diferentes, mas compartilham a experiência de viver em sociedades predominantemente muçulmanas, acompanhando pessoas afetadas pela guerra e respondendo às questões de migração e deslocamento.

Para Daibes, nascido na cidade de Jenin, na Cisjordânia, e vinculado ao Patriarcado Latino de Jerusalém, a situação na Terra Santa permanece particularmente urgente.

“Precisamos ficar”

Os cristãos palestinos, segundo ele, sofrem juntamente com a população palestina em geral, mas ataques recentes a vilarejos e cidades cristãs trouxeram uma nova dimensão ao problema.

“Acredito que os cristãos, assim como todos os outros palestinos, sofrem sob a ocupação”, disse ele. Mas acrescentou: “Nas últimas semanas, surgiu algo novo: esses ataques a vilarejos e cidades cristãs, perpetrados por colonos e apoiados por líderes políticos, entre outros”.

Daibes afirmou que o objetivo de tais ataques é gerar medo e, em última análise, persuadir as pessoas a partir. Ele descreveu como, além dos ataques visíveis e da destruição de casas, olivais e terras agrícolas, impostos sobre a água e todos os produtos importados — bem como restrições que impedem os trabalhadores de se deslocarem para outras cidades e vilarejos — estão sufocando os meios de subsistência e aniquilando as esperanças da população quanto ao futuro.

“O objetivo é intimidar essa população para fazer com que as pessoas deixem o país”, disse ele.

As consequências, alertou, já estão sendo sentidas tanto na comunidade cristã quanto fora dela.

“Somos poucos, sabe, em termos numéricos”, disse ele. “Precisamos permanecer lá. Mas precisamos viver com dignidade e liberdade neste país, e não sob ataque.”

Sua preocupação não se limita à segurança imediata das comunidades cristãs, mas estende-se à sua presença futura na terra onde o cristianismo nasceu.

“A situação piora a cada dia”, disse ele. “Há muitos novos assentamentos, muitos deles ao redor de vilarejos e cidades cristãs, e isso representa um perigo para o futuro.”

O religioso também mencionou placas colocadas por colonos nas estradas com a mensagem: “Não há futuro na Palestina”.

“Isso é perigoso”, disse ele. “Eles querem que as pessoas percam a esperança e deixem o país.” No entanto, partir não é a solução para os cristãos palestinos, insistiu ele. “Este é o nosso país; estamos aqui há longos séculos. Desde o Pentecostes. Até hoje. E queremos continuar vivendo na Terra Santa como cristãos. Ser as pedras vivas da Terra Santa.”

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content