Casal coordenador nacional da Pastoral Familiar reflete sobre desafios e passos no discernimento pelo matrimônio e frisa auxílio de outros casais da comunidade
Gabriel Fontana
Da Redação

Foto: Canva
A segunda semana do Mês das Vocações, em agosto, é dedicada à vocação familiar. Mais do que “juntar as escovas de dente”, um casal é chamado a experimentar uma realidade muito maior, marcada pelo sacramento do matrimônio. Nele, experimenta-se a doação total um ao outro, gerando testemunho para aqueles que estão ao redor.
Alisson e Solange Schila, casal coordenador nacional da Pastoral Familiar, pontuam que o discernimento vocacional pelo matrimônio é tão importante quanto para os outros estados de vida. “A vida matrimonial também exige que esse processo de discernimento seja feito com muita oração, muita reflexão, e tempo para que isso possa ser realizado”, indica Solange.
Alisson observa ainda que o discernimento dessa vocação é mais complexo, pois depende da resposta de duas pessoas, ao passo que a resposta a outras vocações é pessoal. Entre os pontos que devem ser considerados nesse período, Solange cita a reflexão sobre a capacidade de doação e entrega ao outro e de construir uma família.
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“Deve ser um momento de autoconhecimento e de conhecimento do outro, se há objetivos comuns e quais são as prioridades”, aponta Alisson. Neste contexto, Solange frisa que, normalmente, quem pode orientar um casal neste discernimento são outras famílias, que vivem a vocação matrimonial com todos os seus desafios e alegrias e que já têm essa caminhada.
Os passos para o matrimônio

Alisson e Solange Schila / Foto: Arquivo pessoal
Segundo Alisson, a vocação matrimonial, familiar, é uma experiência de convivência e conhecimento mútuo e constante. Por isso, há algumas fases extremamente importantes: tudo começa com o namoro, que é um período de conhecimento e discernimento; depois vem o noivado, onde vai se afinando esse conhecimento e a proximidade; e depois os primeiros anos do matrimônio, onde também se encontram elementos de conhecimento, de referencialidade, de autoconhecimento e de conhecimento do outro.
“Os cuidados que devem ser levados em conta é para que se tenha, mesmo no namoro e no noivado, esse conhecimento, assumindo o outro com toda a sua história, com todo o seu ser, com todas as suas maneiras. É realmente assumir a outra pessoa também como parte sua”, expressa Solange.
Alisson destaca ainda que não pode faltar, nesse caminho, a experiência de fé e de proximidade com Cristo. “Esse é um segredo de toda vocação: Jesus dá a todos os seus discípulos, principalmente aqueles que respondem ao sacramento do matrimônio, a força espiritual interior e o conteúdo missionário do anúncio do Reino”, salienta.
Neste contexto, o coordenador aponta a importância da proximidade entre os cônjuges. “Dizemos que o matrimônio é um sacramento de resposta cotidiana, onde nós, ao acordar e ao dormir, reafirmamos essa intenção de vivermos e convivermos todos os dias, enquanto esposo e esposa, enquanto pai e mãe, para que possamos fazer um encontro com o Senhor todos os dias e dar nosso testemunho de casados”, indica.
Acompanhamento da Igreja
Solange observa que, nesta jornada de discernimento, a Igreja dispõe de casais que já vivem essa vocação matrimonial para preparar, através de um verdadeiro itinerário, aqueles que se preparam para trilhar o mesmo caminho.
“Para colaborar conosco nesses momentos importantes da vocação familiar, é importante no namoro, por exemplo, procurarmos um grupo paroquial para que juntos possamos fazer um discernimento, um encontro com o Senhor dentro daquela realidade a qual nós escolhemos vocacionalmente”, reitera Alisson.
Ele frisa que a Igreja pede uma preparação especial, para que, quando chegar o momento, a resposta dada pelo casal seja uma resposta madura. Neste sentido, a Pastoral Familiar atua diretamente neste acompanhamento aos casais que buscam o sacramento do matrimônio, sejam eles jovens ou pessoas que já convivem e estão buscando casar-se.
Da mesma forma, a Igreja segue acompanhando seus filhos, mesmo após o matrimônio. Solange sinaliza que, na criação dos filhos, a Igreja aponta um caminho muito sólido e seguro para a educação, pautado sempre no Evangelho. “Nós somos convidados a aprofundar cada vez mais a liturgia da casa, a Igreja doméstica, a fazermos esses processos dentro de nós mesmos para que possamos passar isso tudo aos nossos filhos”, conclui Alisson.




