Celebrada em 1º de novembro, solenidade recorda a multidão daqueles que alcançaram o céu e reforça que todos são chamados à santidade
Julia Beck
Da Redação

Representação artística da comunhão dos santos no céu /Foto: Canva
Neste domingo, 1º de novembro, Solenidade de Todos os Santos, a Igreja recorda não apenas aqueles que foram oficialmente reconhecidos e elevados aos altares, mas também a multidão de homens e mulheres que viveram a santidade de forma discreta e hoje estão junto de Deus.
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O pároco da Catedral de São Francisco Xavier, da Diocese de Itaguaí (RJ), padre Wagner Souza, enfatiza que a solenidade pode ser compreendida como a celebração da “família de Deus” que já se encontra no céu.
“O prêmio dos bem-aventurados, ou seja, os que mereceram receber de Deus a justa recompensa pelo bem que fizeram, a caridade que praticaram e, acima de tudo, a verdade que viveram enquanto peregrinos neste mundo”, complementa.
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Uma multidão que ninguém pode contar
A celebração também chama a atenção para uma dimensão nem sempre lembrada quando se fala em santidade: nem todos os santos são conhecidos pelo nome ou tiveram suas histórias reconhecidas publicamente. Padre Wagner recorda a passagem do livro do Apocalipse proclamada na liturgia da solenidade, na qual São João contempla “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas e que ninguém podia contar”.
Segundo o sacerdote, essa imagem ajuda a compreender que existem pessoas que responderam ao chamado de Deus de maneira oculta, procurando fazer o bem e viver o amor a Deus e ao próximo. “Isto se refere a todos os que vivem o chamado de Deus no seu interior, fazendo de forma oculta o que deve ser feito num único intuito: agradar a Deus e ser bom, fazendo o bem aos irmãos”, sublinha.
Nesse sentido, a santidade não está restrita àqueles que passam por um processo de canonização. O reconhecimento oficial da Igreja torna determinados testemunhos conhecidos e os apresenta como exemplos aos fiéis, mas a comunhão dos santos é muito mais ampla.
Santos do cotidiano da vida
Essa realidade foi destacada pelo Papa Francisco ao falar dos “santos da porta ao lado”: pessoas que, sem chamar a atenção, procuram viver o Evangelho nas circunstâncias comuns da vida.

Padre Wagner Souza /Foto: Arquivo Pessoal
Padre Wagner cita como exemplos mães que permanecem em oração junto aos filhos enfermos e homens, mulheres, jovens e crianças que procuram testemunhar a fé na família, no trabalho e na educação.
Para ele, esses testemunhos mostram que ser santo não consiste somente em grandes feitos ou formas extraordinárias de entrega. É também “ir além das aparências e fazer do cotidiano da vida uma via segura de salvação pela vivência da santidade”, ressalta.
Um chamado para todos
A santidade, portanto, não é uma realidade reservada a poucas pessoas. O sacerdote recorda a Primeira Carta aos Tessalonicenses, na qual São Paulo afirma que a vontade de Deus é a santificação dos fiéis.
“Se Ele, que nos fez e possui, deseja, é porque é possível e somos capazes”, afirma padre Wagner, recordando também o ensinamento de Santa Teresinha do Menino Jesus de que Deus não inspira desejos impossíveis de serem realizados.
Mas como transformar a rotina em caminho de santidade? Para o sacerdote, o primeiro passo é conhecer Jesus por meio dos Evangelhos e compreender que a fé implica segui-Lo concretamente. A partir daí o caminho passa pelas possibilidades que se apresentam todos os dias, sem a necessidade de procurar grandes realizações.
“Não pensemos nas coisas grandes, mas fiquemos no possível e naquilo que podemos fazer: oferecer um copo d’água, ouvir com atenção as pessoas, visitar um doente. Tudo é grande e agrada a Deus se for sincero e feito com gratuidade e amor”, conclui.