Respostas urgentes

Papa faz apelo por reconstrução 10 anos após terremoto na Itália

Leão XIV pediu rapidez, segurança e transparência nas obras de reconstrução após a série de terremotos que atingiu o centro do país em 2016

Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV /Foto: Simone Risoluti – Vatican Media – ABACA via Reuters

Dez anos após os terremotos que atingiram o centro da Itália, o Papa Leão XIV pediu neste sábado, 31, “respostas tangíveis e urgentes” para as comunidades que ainda enfrentam as consequências da tragédia. O Pontífice recebeu, no Vaticano, representantes de municípios das regiões de Abruzzo, Marche, Lazio e Úmbria atingidos pelos tremores.

A série de terremotos iniciada em agosto de 2016 deixou centenas de mortos, milhares de desabrigados e provocou grandes danos em cidades e no patrimônio histórico e artístico da região. “Dez anos após o terremoto, é preciso empenhar todas as forças para que a reconstrução material ocorra no menor tempo possível, com segurança e de forma transparente”, afirmou Leão XIV. Segundo o Papa, além da reconstrução física, é necessário oferecer perspectivas capazes de sustentar a esperança das populações atingidas.

Feridas ainda abertas

Durante o encontro, Leão XIV recordou a “trágica sequência” de terremotos iniciada em agosto de 2016. O principal tremor atingiu duramente municípios como Amatrice, Accumoli e Arquata del Tronto, além de diversas outras localidades.

Foram, segundo o Pontífice, acontecimentos que provocaram “centenas de vítimas, destruições imensas e profunda dor em comunidades inteiras, que ainda hoje carregam essas feridas”.

O Papa já havia recordado as vítimas e suas famílias durante o Angelus de 23 de agosto passado, quando também incentivou a continuidade dos esforços de reconstrução.

Responsabilidade compartilhada

Ao refletir sobre o caminho para a recuperação das cidades, Leão XIV recorreu ao livro de Neemias, que narra o retorno do povo a Jerusalém após a devastação provocada pelos babilônios.

Para o Papa, a passagem bíblica destaca a importância da participação de toda a comunidade no processo de reconstrução. “A cidade, de fato, renasce não pela ação de uma única pessoa, mas através da responsabilidade compartilhada de todo o povo”, afirmou.

Leão XIV ressaltou ainda que, diante de situações tão dramáticas, não bastam boas intenções. É necessário, segundo ele, ter uma visão capaz de reconhecer, mesmo entre as ruínas, aquilo que pode ser reconstruído.

“É o dom de um olhar profético que saiba acolher, além dos escombros, algo que ninguém ainda vê, um olhar que saiba discernir, dentro do mal presente, o bem que é possível e necessário realizar.”

Nesse caminho, o Pontífice indicou dois elementos: uma abordagem sinodal, capaz de envolver a comunidade na reconstrução, e uma visão voltada ao futuro e à busca concreta do bem comum.

Santos como exemplo de reconstrução

Leão XIV também recordou santos ligados às regiões atingidas pelos terremotos e os apresentou como exemplos de esperança e reconstrução.

Entre eles, citou Santa Rita de Cássia e São Nicolau de Tolentino, que contribuíram para levar paz a comunidades marcadas pela violência; São Bento, cujo legado de oração e trabalho ajudou a transformar a Igreja e a sociedade; e São Francisco de Assis, que começou sua missão restaurando pequenas igrejas antes de compreender o chamado para colaborar com a renovação da própria Igreja.

“O exemplo dos santos nos lembra que a esperança, para não permanecer um mero desejo, precisa, antes de tudo, de respostas tangíveis e urgentes”, destacou.

“Eu estou com vocês”

Ao concluir o discurso, Leão XIV afirmou que reconstruir significa também recuperar aquilo que dá fundamento à vida de uma comunidade. “Trata-se de recomeçar do centro, de recomeçar de Deus, das pessoas, do bem comum, das relações”, afirmou.

O Papa assegurou sua proximidade às populações atingidas e encerrou com palavras do profeta Ageu: “Sejam fortes, todo povo da terra, diz o Senhor, e trabalhem, pois eu estou com vocês!”.

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