Papa recebeu equipes de basquete de Villanova e Notre Dame e refletiu sobre competição, fraternidade e vocação à santidade
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV durante audiência na Sala Paulo VI, no Vaticano /Foto: REUTERS/ Remo Casilli
Representantes das universidades católicas norte-americanas Villanova e Notre Dame foram recebidos pelo Papa Leão XIV neste sábado, 31, na Sala Paulo VI, no Vaticano. As equipes masculina e feminina de basquete das duas instituições estão em Roma para a abertura da temporada da NCAA, o campeonato universitário dos Estados Unidos.
Wildcats, de Villanova, e Fighting Irish, de Notre Dame, se enfrentam neste domingo, 1º de novembro, no PalaEur, em Roma. Os capitães das equipes presentearam Leão XIV com uma camisa comemorativa com o número XIV e uma bola de basquete.
O encontro também teve um significado pessoal para o Pontífice. Leão XIV estudou na Universidade Villanova, instituição fundada na Pensilvânia pela Ordem de Santo Agostinho, onde se formou em matemática. Ao recordar a infância na zona sul de Chicago, contou que costumava torcer com os irmãos por Notre Dame: “Vai, Irish!”. Em tom bem-humorado, acrescentou: “O Papa não toma partido por ninguém. Prevost pensa diferente, mas não é o momento de falar sobre isso”.
Esporte como “remédio para o corpo e o espírito”
Em seu discurso, Leão XIV destacou a contribuição do esporte para a formação humana e para a construção de relações. “O esporte, quando bem vivido, é remédio para o corpo e para o espírito”, afirmou.
O Papa retomou uma reflexão apresentada na Missa do Jubileu do Esporte, em 15 de junho de 2025, ressaltando a capacidade da prática esportiva de aproximar as pessoas. “Como muitos de nós já experimentamos, ao servir como um meio concreto para reunir as pessoas, o esporte pode ensinar os valores da cooperação e da partilha mútua. Isso é cada vez mais necessário em uma época caracterizada pelo distanciamento que a tecnologia pode criar.”
Ao saudar os reitores das universidades, padre Peter Donohue, de Villanova, e padre Robert Dowd, de Notre Dame, o Pontífice afirmou ainda que o esporte pode “desempenhar um papel de grande impacto tanto na vida de uma comunidade acadêmica quanto na sociedade em geral”.

Leão XIV recebe atletas em audiência na Sala Paulo VI, no Vaticano /Foto: REUTERS/ Remo Casilli
Rivais, mas nunca inimigos
Leão XIV também recordou a visão da Igreja sobre o esporte apresentada na Carta Apostólica A Vida em Abundância, centrada na dignidade humana, no desenvolvimento integral e na relação com o próximo. Segundo o Papa, a prática esportiva pode ser instrumento para promover valores como “fraternidade, solidariedade e paz”.
Ao falar sobre a rivalidade entre as equipes, destacou que a paixão pela competição não deve transformar o adversário em inimigo. “Durante os eventos esportivos é natural querer torcer, muitas vezes com grande paixão, pelo próprio time”, afirmou. No entanto, lembrou que os integrantes de equipes adversárias, “mesmo que haja rivalidade esportiva entre eles, certamente não são inimigos”.
Por isso, desejou que a passagem por Roma também proporcione oportunidades para que jogadores e torcedores das duas universidades se conheçam melhor.
“Ninguém nasce campeão, assim como ninguém nasce santo”
Na véspera da Solenidade de Todos os Santos, celebrada em 1º de novembro, Leão XIV relacionou a formação esportiva à vocação cristã à santidade. Segundo ele, cada dimensão da vida, inclusive o esporte, deve contribuir para amar a Deus e ao próximo.
O Papa citou São Pier Giorgio Frassati, padroeiro dos atletas e conhecido também por sua dedicação ao esporte, para destacar que tanto a vida cristã quanto a esportiva exigem perseverança. “A sua vida, assim como a de muitos homens e mulheres santos, nos lembra que ninguém nasce campeão, assim como ninguém nasce santo. Em vez disso, a santidade exige um treinamento diário no amor.”
Ao concluir, Leão XIV recordou a imagem utilizada por São Paulo da vida cristã como uma corrida em busca de uma “coroa imperecível”. O Pontífice desejou que a peregrinação dos universitários a Roma, especialmente as visitas aos túmulos dos Apóstolos, ajude os jovens a manter diante dos olhos o objetivo maior da vida cristã.
“Rezo para que as atividades previstas na peregrinação de vocês, em especial, nas visitas aos túmulos dos Apóstolos que deram a vida em defesa da fé, sirvam para lembrar que o nosso verdadeiro objetivo, além de sairmos vitoriosos de algum evento, é conquistar o prêmio da vida eterna”, finalizou.