Padre Francisco Amaral explica método de consagração do “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, escrito por São Luís Montfort
Kelen Galvan
Da redação

São Luís Maria Grignion de Montfort / Foto: domínio público
São Luís Maria Grignion de Montfort, grande apóstolo da devoção a Nossa Senhora, é celebrado nesta terça-feira, 28 de abril. Seu livro, o “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem” é considerado um dos pilares da espiritualidade mariana.
“É um método próprio, vivido por muitos santos – como o próprio São João Paulo II, que tinha este ‘Tratado’ como seu livro de cabeceira. Por causa dessa consagração, ele assumiu o lema de pontificado Totus Tuus, que significa ‘todo teu’, ‘todo de Maria'”, destaca padre Francisco Amaral, grande divulgador da Consagração a Nossa Senhora e uma das maiores referências do país nesse assunto.
Luís Montfort nasceu em 31 de janeiro de 1673 em uma família numerosa e profundamente cristã. Foi ordenado sacerdote aos 27 anos, e tornou-se um grande missionário. Sua santidade de vida e grande devoção pela Virgem Maria e pela Eucaristia levou muitos à conversão. Faleceu no dia 28 de abril de 1716, aos 43 anos. Fundou duas congregações: as Filhas da Sabedoria, em 1703, e a Companhia de Maria, em 1705. Escreveu vários livros, mas sua obra mais famosa é o Tratado.
Consagração é um convite a todos

Padre Francisco Amaral / Foto: Arquivo Pessoal
“Todos os batizados, de qualquer vocação podem fazer essa consagração”, explica o sacerdote. Contudo, ele destaca que “é uma consagração total”. “Portanto, é necessário que a pessoa busque viver em estado de graça para que tenha a sua validade. No caso de um adulto, que tenha vida sacramental, fazendo uma boa confissão e buscando a Eucaristia com frequência. É uma renovação do nosso batismo pelas mãos de Nossa Senhora!”.
No Tratado, São Luís ensina a consagração e devoção filial a Nossa Senhora como um meio eficaz de se aproximar de Jesus Cristo e alcançar a perfeição cristã. “Consiste em uma entrega total a Jesus pelas mãos da Virgem Maria”, afirma padre Francisco. A frase “com Maria, por Maria, para Maria e em Maria” revela a essência dessa total consagração.
No livro, o santo apresenta vários motivos para que o fiel faça essa consagração, mas o principal é “o conhecimento do lugar da Virgem Maria no Mistério da salvação”, destaca.
“São Luís diz que Jesus veio a nós por meio de Maria no Mistério da Encarnação, e assim, nós também vamos a Jesus por meio dela”, ressalta padre Francisco. “É uma realidade espiritual, em que nos entregamos a ela para que ela mesmo nos gere, como gerou Jesus, para chegarmos àquele ideal de São Paulo: ‘Não sou eu quem vivo, é Cristo quem vive em mim’ (Gal 2,20)”.
Passos para fazer a consagração
O sacerdote indica que o primeiro passo para se consagrar é a leitura do “Tratado da Verdadeira Devoção”. Como o Tratado não possui uma linguagem tão simples, padre Francisco escreveu o livro “Sou todo teu, Maria”, para ajudar as pessoas a compreender os escritos de São Luís Montfort e viver essa consagração. Ele explica que “[o livro] não substitui o ‘Tratado’, mas ajuda a compreendê-lo”.
O fiel escolhe uma data em que deseja fazer a consagração, que não precisa ser feita de forma pública, e faz um mês de preparação, seguindo o passo a passo descrito no Tratado. Caso queira, ele pode escolher um “sinal visível”, como uma medalha, a tradicional cadeia, mas não é imprescindível. “Os sinais visíveis não são obrigatórios. Caso queira, será um sinal para lembrá-lo do ato interior que ele fez”.
Curiosidade sobre o Tratado
O “Tratado da verdadeira Devoção a Santíssima Virgem” foi escrito em 1712. O manuscrito permaneceu escondido em um cofre por 130 anos, até que, em 1842, foi encontrado por um padre da congregação fundada por Montfort. Isto foi predito pelo santo no livro:
“Prevejo que muitas feras frementes virão em fúria para rasgar com seus dentes diabólicos este pequeno escrito e aquele de quem o Espírito Santo Se serviu para o escrever, ou ao menos para o envolver nas trevas e no silêncio de um cofre, a fim de que não apareça. . Atacarão e perseguirão aqueles e aquelas que o lerem e o puserem em prática. Mas, não importa! Tanto melhor! Essa visão me encoraja e me faz esperar um grande sucesso, quer dizer, um grande esquadrão de bravos e valentes soldados de Jesus e de Maria, de ambos os sexos, para combater o mundo, o demônio e a natureza corrompida, nos tempos perigosos que, mais do que nunca, hão de vir” (TVD 114).
O livro foi publicado em 1843; atualmente, está traduzido em numerosos idiomas ao redor do mundo e conta com mais de 300 edições.




