TRÁFICO HUMANO

Rainha Camilla ouve o testemunho das irmãs da UISG

Após uma reunião com a Rainha, representantes da União Internacional das Superioras Gerais relatam como religiosas continuam a proteger mulheres vulneráveis

Da redação, com Vatican News

Rainha Camila e as representantes da União Internacional das Superioras Gerais (UISG) / Foto: Reprodução UISG

Menos de um ano após o primeiro encontro durante a visita oficial do Rei Charles III e da Rainha Camilla à Santa Sé, representantes da União Internacional das Superioras Gerais (UISG) viajaram a Londres para se reunir novamente com Sua Majestade na Clarence House, compartilhando histórias da linha de frente de sua missão junto a algumas das comunidades mais vulneráveis ​​do mundo.

A audiência de quarta-feira, 16, proporcionou uma oportunidade para refletir sobre o trabalho das religiosas católicas em todos os continentes, especialmente seu compromisso com a proteção de mulheres e meninas afetadas por conflitos, tráfico, pobreza e pelo crescente impacto das mudanças climáticas. O encontro também destacou a colaboração contínua entre a UISG e a Embaixada Britânica junto à Santa Sé no apoio a iniciativas que promovem a dignidade humana e a resiliência.

A Dra. Anabel Inge, Encarregada de Negócios *ad interim* da Embaixada Britânica junto à Santa Sé, descreveu o encontro como “uma ocasião realmente especial e alegre”, observando que o convite refletia a profunda estima da Rainha Camilla pelo trabalho das religiosas.

“Acredito que nenhuma de nós esperava que as religiosas fossem convidadas para a Clarence House tão cedo”, disse ela. “Isso realmente demonstra a profunda estima de Sua Majestade, a Rainha, pelo trabalho das religiosas.”

Tendo trabalhado em estreita colaboração com a UISG nos últimos cinco anos, Inge elogiou o testemunho silencioso, porém corajoso, das religiosas.

“Tenho a nítida impressão de que esse trabalho é frequentemente realizado de forma muito silenciosa, sem alarde, com grande humildade e em alguns dos lugares mais difíceis do mundo”, afirmou, apontando as qualidades que, em sua opinião, distinguem o ministério delas: “confiança, presença e continuidade” nas comunidades locais.

“Elas estão inseridas nas comunidades locais… permanecem no local mesmo durante conflitos, muitas vezes expondo-se a grandes riscos pessoais.”

Uma presença profética

Para a Irmã Roxanne Schares, Secretária-Executiva da UISG, o encontro foi uma oportunidade de falar sobre as milhares de religiosas que permanecem ao lado de pessoas que enfrentam a guerra, o deslocamento forçado e as adversidades.

“Nossas irmãs em todo o mundo estão verdadeiramente presentes junto às pessoas, onde quer que sirvam”, disse ela. “Seja em uma universidade, em uma creche, em trabalhos sociais ou na pastoral, a presença delas é uma fonte de conforto, apoio e coragem.”

Ela recordou conversas recentes com religiosas que atuam na Ucrânia, no Líbano e na República Democrática do Congo, onde muitas decidiram permanecer apesar da violência em curso.

Uma das religiosas, relatou ela, descreveu como conduziu crianças aterrorizadas para um porão durante os bombardeios, lendo passagens das Escrituras “para ser uma voz diferente do som das bombas”.

A Irmã Roxanne disse que a Rainha Camilla ouviu com compaixão e ficou “profundamente comovida” com esses testemunhos.

“Acredito que ela queira ser esse apoio para as religiosas em todo o mundo, à sua própria maneira e por meio de sua escuta compassiva.”

Jovens lideram o combate ao tráfico

O tráfico de pessoas permaneceu no centro das discussões. Irmã Abby Avelino, coordenadora internacional da Talitha Kum — a rede mundial de religiosas católicas que combate o tráfico —, compartilhou os esforços crescentes da rede para prevenir a exploração e acompanhar os sobreviventes.

Ela explicou que os golpes de recrutamento online tornaram-se um dos riscos de tráfico que mais crescem atualmente, especialmente para jovens em busca de emprego.

“Os jovens estão vulneráveis ​​a golpes online”, disse ela, explicando que a Talitha Kum tem respondido a isso capacitando jovens adultos para se tornarem “Embaixadores da Juventude contra o Tráfico de Pessoas”.

O programa, lançado inicialmente na Ásia com o apoio da Embaixada Britânica junto à Santa Sé, expandiu-se posteriormente para todo o mundo.

“Eles se tornam as vozes”, disse a Irmã Abby. “Eles se tornam agentes de mudança.”

Ela explicou que o programa, com duração de seis meses, capacita jovens adultos de 18 a 30 anos a conscientizar seus pares sobre os sinais de alerta do tráfico e da exploração.

O movimento continua a crescer. A Talitha Kum atua hoje em mais de 110 países por meio de 68 redes nacionais e regionais, e sua abrangência global em 2025 alcançou cerca de 1,2 milhão de pessoas por meio de ações de prevenção, proteção, educação, defesa de direitos e acompanhamento de sobreviventes.

A Irmã Abby ressaltou que, por trás de cada estatística, existe uma vida humana.

“Há histórias por trás dos números”, disse ela, relembrando o testemunho de uma sobrevivente que, após escapar do tráfico, trabalha agora para proteger outros jovens de sofrerem o mesmo destino.

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