Com o crescimento da mineração comercial em águas do Pacífico, bispos pedem prudência, especialmente por conta dos danos irreversíveis que a atividade pode causar
Da redação, com Vatican News

Bispos pedem cautela e cuidados com o Oceano Pacífico por conta do crescimento da mineração comercial em águas profundas do Oceano Pacífico / Foto: Robert Boston por Unsplash
“Enquanto não houver evidências convincentes de que tal atividade possa ser realizada sem causar danos graves ou irreversíveis, a prudência nos convida a agir com grande cautela.”
Essa posição foi expressa pela Conferência Episcopal do Pacífico (CEPAC) em uma declaração pastoral divulgada em 10 de agosto sobre a mineração em águas profundas, assinada pelo presidente da Conferência, o Arcebispo Ryan P. Jimenez, de Agaña (Guam), que também preside a Federação das Conferências dos Bispos Católicos da Oceania (FCBCO).

O presidente da Conferência, o Arcebispo Ryan P. Jimenez / Foto: Reprodução Youtube
Na carta, os bispos afirmaram: “Encorajamos respeitosamente todos aqueles que têm a responsabilidade de tomar decisões sobre a mineração em águas profundas a proceder com sabedoria, transparência, humildade e uma preocupação genuína com o bem comum”.
Eles observaram que, há gerações, a humanidade extrai recursos minerais da Terra para sustentar o desenvolvimento econômico, muitas vezes sem considerar plenamente as consequências a longo prazo para a nossa casa comum.
Preocupações iminentes
No entanto, hoje, eles apontaram que a mineração comercial em águas profundas na região parece cada vez mais iminente, alertando que grandes áreas do leito marinho do Pacífico — incluindo os 33 milhões de acres nas águas ao redor da Samoa Americana e áreas próximas ao Monumento Nacional Marinho da Fossa das Marianas — estão sendo consideradas para concessão comercial.
Governos, cientistas, comunidades indígenas, igrejas e muitas pessoas de boa vontade, observaram os Bispos do Pacífico, foram levados por esses acontecimentos a participar de uma conversa importante sobre o futuro de seu oceano e o legado que deixarão para aqueles que virão depois de nós.
Eles lembraram ainda que, como pastores, sua responsabilidade é proclamar o Evangelho e iluminar essas questões à luz da doutrina social da Igreja.
Com isso em mente, reiteraram que os recursos da criação são confiados não apenas a esta geração, mas também àquelas que virão a seguir.
Prudência necessária onde a ciência permanece incerta
“A história”, observaram eles, “nos ensina que, quando a ciência permanece incerta sobre as consequências de ações que podem causar danos graves ou irreversíveis, a sabedoria nos chama a proceder com humildade, prudência e discernimento orante”.
Para os povos do Pacífico, explicaram os Bispos, essa convicção está profundamente enraizada em seu modo de vida. Eles expressaram a esperança de que sua geração seja lembrada “não pelo que extraiu” da Criação, mas “pelo que protegeu”.
Ressaltando que o oceano profundo permanece como um dos ecossistemas menos compreendidos da Terra, os cientistas — notaram os prelados — “reconhecem que muito sobre sua biodiversidade, suas relações ecológicas e sua resiliência a longo prazo ainda é desconhecido”.
Como resultado, alertaram que as decisões tomadas hoje podem ter consequências que não são facilmente reversíveis.
“Quando existe uma possibilidade real de danos graves ou irreversíveis”, insistiram os Bispos, “a ausência de certeza científica completa nunca deve servir de desculpa para prosseguir sem o devido cuidado”.
Não se opõem ao avanço tecnológico
A prudência, reconheceram eles, “não é um obstáculo ao progresso”, mas “a virtude que permite que o progresso autêntico sirva tanto à humanidade quanto à criação”.
“A Igreja não se opõe à pesquisa científica ou ao desenvolvimento econômico responsável; pelo contrário”, destacaram os Bispos, “ela nos chama a garantir que o avanço tecnológico sempre respeite a dignidade da pessoa humana, proteja a integridade da criação e sirva ao bem comum”. O cuidado com a criação, observaram eles, não pode ser separado da justiça, da paz, da cultura e da dignidade dos povos.
Por fim, os bispos do Pacífico rezaram para que “Cristo, por meio de quem todas as coisas foram criadas e em quem tudo subsiste, conceda sabedoria aos nossos líderes, coragem às nossas comunidades e corações que permaneçam atentos tanto ao clamor da terra quanto ao clamor dos pobres”.
“Que o Espírito Santo nos guie a tomar decisões fundamentadas na verdade, na justiça e na caridade, para que as gerações futuras possam herdar um oceano que continue a proclamar a glória de Deus e a sustentar os povos do Pacífico”, declararam.