Padre da Obra Nossa Senhora de Fátima, no Brasil, destaca vivência de fé dos pastorinhos como exemplo, além de frisar força da oração do terço em família
Kelen Galvan
Da Redação

Santos Jacinta e Francisco / Foto: Santuário de Fátima
O dia 20 de fevereiro marca a memória litúrgica dos santos pastorinhos de Fátima: os irmãos Francisco e Jacinta Marto, santos não-mártires mais jovens da história da Igreja. Eles, juntamente com sua prima Lúcia, receberam as aparições de Nossa Senhora em 1917. Irmã Lúcia de Jesus, falecida em 2005, está em processo de beatificação.
“Sendo crianças que viveram a fé, como sinal de entrega a Deus e ao pedido de Nossa Senhora, a vida dos pastorinhos se torna exemplo para o trabalho de evangelização com as crianças”, afirma o responsável pela Obra Nossa Senhora de Fátima – Comunidade Servos do Coração Imaculado de Maria, aqui no Brasil, Padre Francisco Tiery Santos Andrade, icms.
Ele destaca que, quando se fala do exemplo que os pastorinhos de Fátima transmitem para a Igreja, é importante lembrar também da “grande função educadora de seus pais”, tanto de Francisco e Jacinta, quanto de Lúcia, que os educaram na fé.
Referências na evangelização das crianças

Padre Francisco Tiery Santos Andrade, icms / Foto: Arquivo Pessoal
Padre Francisco aponta que, a partir da vida dos santos pastorinhos, é possível ensinar, por exemplo, sobre o amor fraterno e o cuidado recíproco. “Os pastorinhos viveram uma comunidade de vida real, concreta, cada um com seu temperamento, com suas dificuldades, suas peculiaridades e seus dons. Um vivia para que o outro pudesse se encontrar mais com o sobrenatural”.
O sacerdote destaca que entre eles não havia competição, mas fraternidade e disponibilidade para que o outro pudesse crescer. “Isso é muito belo da vida dos pastorinhos. Portanto, são exemplos para tornar mais dinâmica a vida das nossas crianças, da nossa catequese, das nossas escolas. Com certeza, são instrumentos poderosos para a evangelização das crianças”.
Ele recorda ainda a vida de oração e de penitência dos pastorinhos, e indica que são aspectos a serem trabalhados com as crianças. “A questão de quebrar o egoísmo, ensinando pequenas penitências; de abrir o coração para a vida de oração, a partir da Ave-Maria, do Anjo da Guarda; ensinar, de modo simples, as verdades eternas, de modo que elas possam compreender, como as crianças em Fátima compreenderam”.
Pedagogia de Nossa Senhora
Ao todo, em Fátima, Nossa Senhora apareceu seis vezes aos pastorinhos, entre os meses de maio e outubro de 1917. Em cada aparição, ela foi lhes dando um ensinamento, inclusive mostrando-lhes o inferno. Padre Francisco afirma que, em tudo isso, havia uma pedagogia de Nossa Senhora.
“Na primeira aparição, em maio, Nossa Senhora lhes promete que eles irão para o Céu. Na segunda aparição, Ela mostra Seu coração cercado de espinhos e pede reparação. E na terceira aparição, Nossa Senhora mostra o inferno”, recorda.
O sacerdote afirma que a visão do inferno para as crianças foi para gerar empatia. “Entender a dor de quem está lá, e, assim, surge nelas o desejo de fazer penitência. Lógico que estamos falando de uma percepção que é interna, trazida do Céu para o interior das crianças. Essa dor que elas viveram, esse chamado à penitência, não partiu de uma leitura ou meditação, mas de uma locução interior dada diretamente pela Virgem Maria. Então, existe um impacto e uma percepção muito mais profunda do que aquilo que nós podemos entender”, explica.
A própria Irmã Lúcia de Jesus, escreveu no livro de suas “Memórias” o impacto profundo dessa visão e o fervor que ela gerou nos três, na prática da oração e da penitência, pela salvação dos pecadores.
Sementes da evangelização
Padre Francisco afirma que, no trabalho de evangelização com as crianças na Obra Nossa Senhora de Fátima, é possível perceber frutos desse apostolado. Alguns visíveis, outros ainda uma semente depositada no coração das crianças. “O nosso trabalho hoje é dar esperança às crianças, mas trazer para elas a questão da vida de oração, da pureza, da abertura ao sobrenatural’, cita o sacerdote, pois há muitos obstáculos nesse percurso.
Diante disso, muitos frutos não surgem de imediato, mas a abertura delas, a compreensão mínima sobre a reparação, iniciativas de rezar pelo amiguinho, de ser solidária com o outro, são pontos visíveis da progressão das crianças nesse processo.
“Fazemos esse trabalho na vida delas, a exemplo do que Nossa Senhora fez, trazê-las mais para perto, dar responsabilidade às crianças, torná-las responsáveis por aquilo que estão ao seu redor”, destaca.
Terço: maior “arma” da era cristã
Nas aparições, Nossa Senhora pediu insistentemente a oração do Terço, pedindo a paz e a conversão dos pecadores. Padre Francisco explica que a vida de Cristo é contemplada nos mistérios do Terço, portanto, além dele ser contemplativo, ele também é catequético.
“O Terço é contemplar a vida de Cristo com os olhos de Maria. Por isso o pedido muito simples de Nossa Senhora para que se rezasse o terço todos os dias é como um chamado para que a família se mantenha unida sob o seu manto, debaixo da humanidade Santíssima de Cristo. Para que a família encontre no Santo Terço a força, o amor, a determinação necessária para a fidelidade diante de uma vocação que é tão árdua, que é tão bela, tão sublime, mas que pede um caminho de conversão constante”, indica o sacerdote.
Ele recordou que, nas aparições, em 1917, diante daquele contexto da Primeira Guerra Mundial, Nossa Senhora pediu o Terço como “sinal de remédio, porque a presença dela já supre e é sinal de Céu”. “Se nossas famílias rezarem o Terço unidas, com certeza teríamos mais capacidade de lutar juntos e caminhar de modo fiel para Cristo”.
Padre Francisco enfatiza que o Terço é uma das orações mais poderosas da era cristã, por condensar toda vida e doutrina de Cristo, por isso deve ter mais espaço dentro das casas.
“Quando a família – pai, mãe, filhos – tem um terço na mão, o Céu está ali presente. Não tenhamos medo de colocar nas mãos das nossas crianças o Santo Terço, rezado com amor e com significado pleno. O maior benefício para a família é conhecer o Coração Imaculado de Maria, conhecer a vida de Cristo e, portanto, a partir disso, chegar ao Céu”, concluiu.




