Arte feita em argila se torna destaque na região e ganha título de reconhecimento federal
A tradição dos figureiros de Taubaté ganhou um marco histórico. O trabalho artístico com argila recebeu a Indicação de Procedência do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, que reconhece a origem e a autenticidade dessa produção. É o primeiro reconhecimento desse tipo para um segmento cultural do Vale do Paraíba.
Reportagem de Emerson Tersigni e Ederaldo Paulini
Quem olha para esta grande casa azul não imagina a riqueza existente dentro dela. Você já ouviu falar nos figureiros de Taubaté? Este é um grupo de artesãos que transforma a argila em preciosas artes. “Vem desde a minha bisavó. E na minha família, da minha bisavó para minha avó, todas elas, os sustentos dela vinha da argila, vinha desse trabalho da casa figureira”, contou a coordenadora da Casa do Figureiro, Raíssa Sampaio.
E qual a relação da mãe de Jesus com esta tradição centenária? A resposta está em um dos templos mais tradicionais da cidade. A história da arte em Taubaté passa pela rua imaculada. Há cerca de 150 anos, uma senhora chamada Maria da Conceição Frutuoso Barbosa restaurou com argila esta imagem de Nossa Senhora da Conceição, vocação santeira que pavimentou o caminho para aquilo que conhecemos hoje por arte figureira.
As mãos dedicadas que hoje se empenham para dar forma aos elementos se movem pelo amor ao ofício. Benedita Alves, 68 anos de caminhada e muitos deles aqui na casa do figureiro de Taubaté. O nome dela inclusive. “‘Bene Figureira’, ou seja, está no DNA. É isso. Eu não nasci na família de figureiros, mas a figureira já era amiga da minha irmã e tudo.
Então, desde o ano 2000 nós estamos aqui na casa do figureiro”. E o sangue misturado com argila. “O sangue já tá misturado com argila já. Se eu fizer exame, além de tudo que vai ter lá, vai ter argila também”, expressou a figueira, Benedita Alves.
O pavão é considerado o carro chefe dos figureiros e não se restringe somente a Taubaté. “Teve um concurso, em São Paulo no ano de 79, e entre 600 peças, o Pavão participou, foi com a dona Cândida e o Pavão ganhou. Ele é o símbolo do artesanato paulista e também é o símbolo de Taubaté”, contou a figueira, Tânia Regina Sampaio.
E as conquistas deste trabalho não param. Recentemente, os figureiros conquistaram algo aguardado desde 2021, o indicador de procedência, reconhecimento federal, quanto à originalidade daquilo que é produzido por aqui.
Na prática, cultura sendo valorizada e a arte de moldar figuras fortalecidas. “Teve um significado que eu posso responder assim, me arrepiou quando eu vi, porque é um legado, Eu falo que isso aqui é a minha a minha herança. Então, vê que esse trabalho centenário hoje tem esse reconhecimento, não só pra minha família, mas para todos que estão aqui, porque isso aqui é uma luta de todos. Não é individual, a gente é unido, a gente faz isso aqui acontecer. E para fazer isso aqui acontecer, foi com muita luta, com muito esforço”, relatou Raíssa.
“É uma terapia e é gostoso que você faz, você conversa com as peças, como se ela tivesse vida, que na verdade dá vida pra peça”, concluiu a figueira, Sueli de Paula Jesus.
