Serviço da Igreja acolhe casais que passam por dificuldades para gerar filhos, proporcionando momentos de oração, formação e partilha de experiências
Jéssica Marçal
Da Redação

Foto ilustrativa / Canva
“Os filhos são herança do Senhor”. O ensinamento bíblico expresso no livro dos Salmos reflete a dádiva que os filhos constituem em uma família. Porém, há casais que, mesmo abertos à vida, como prevê a doutrina católica sobre o matrimônio, enfrentam dificuldades para gerar filhos. Pensando nesta realidade, surgiu a Pastoral Fecundos em Cristo.
A história começou com o casal Bruno Ferreira da Silva e Adriana Inácio Ferreira da Silva, ambos da cidade de Salto (SP), pertencente à diocese de Jundiaí (SP). Após três anos de matrimônio, descobriram que não poderiam engravidar naturalmente, sendo a saída a Fertilização in Vitro. Pelo ensinamento da Igreja Católica, o casal decidiu não optar pelo método e buscou direção espiritual.
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O casal Bruno e Adriana e as duas filhas, Maria Emanuelly e Wannyeli Yorana / Foto: Arquivo Pessoal
“Em 2016, fizemos um acampamento de casais pela casa de missão da Canção Nova de Paulínia e Deus falou conosco por meio do testemunho de um casal que tinha adotado um grupo de irmãos. A partir dali, Deus foi nos curando e nos abrimos para a adoção.”
A partir desta experiência, o casal foi convidado pelo então pároco local, padre Enéas Bete, a participar de uma pastoral para casais que enfrentavam a mesma dificuldade. “Dissemos o nosso sim a este chamado e, em 2018, iniciamos os encontros aqui na cidade de Salto, em nossa paróquia.”, conta o casal.
“A partir da cura que Deus realizou em nós, por não gerarmos biologicamente, nos sentimos impulsionados a testemunhar esta graça de Deus em nossa vida, ajudando outros casais a não desistirem e a compreenderem que podem ser felizes fazendo a vontade de Deus.”, acrescentam Bruno e Adriana, pais de Maria Emanuelly e Wannyeli Yorana, irmãs adotadas por eles.
Por que o nome “Fecundos em Cristo”?
Bruno e Adriana revelam que, enquanto rezavam a Deus pela situação que viviam, veio ao coração deles o Evangelho segundo João (15, 1-8) que reflete sobre a videira e os ramos. “Nós começamos a refletir sobre esta passagem e, então surgiu a inspiração do nome Fecundos em Cristo. Pois, para que o ramo possa dar fruto, ele precisa estar ligado à videira. Portanto, para que o casal seja fecundo, precisa estar ligado à Videira Verdadeira, que é Jesus Cristo.”
O casal ressalta que Pastoral Fecundos em Cristo não é um grupo de apoio à adoção, mas sim um serviço da Igreja que leva os casais a discernirem qual é a vontade de Deus para suas vidas. “Nossos encontros proporcionam reflexões para os casais, mas também momentos de oração, formação e partilha de experiências. Levamos profissionais da saúde católicos, além de padres e leigos casados. Muitos casais já geraram biologicamente; outros pela via da adoção e, outros em discernimento.”
A chegada da pastoral a Pindamonhangaba (SP)

Padre Kleber Rodrigues da Silva / Foto: Arquivo Pessoal
A iniciativa começou a dar frutos em Jundiaí e alcançou outras fronteiras. Marcela Aguiar Nogueira e Clóvis Campos Pereira são de Pindamonhangaba (SP), da Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso, diocese de Taubaté (SP). Em 2023, passaram por uma perda gestacional e viveram um período de solidão e tristeza à espera de filhos. Quando foram doar o enxoval que haviam ganhado, no Carmelo de Madre Carminha, uma religiosa sugeriu a eles iniciarem uma pastoral para acolher casais que viviam a mesma dor da perda e da espera.
“Essa palavra ficou ressoando em nós até que, na Quaresma de 2025, entregamos essa intenção a Deus. A resposta veio de forma providencial: vimos a postagem da arte da Pastoral (aquela de Jundiaí) em um grupo de adoção do qual fazemos parte. Entramos em contato com a Adriana e o Bruno, que nos explicaram o projeto, e soubemos na hora que era o que buscávamos.”, contam Marcela e Clovis.
Com o apoio do pároco, padre Kleber Rodrigues da Silva, o casal foi até Jundiaí em julho de 2025 para se preparar. No dia 4 de outubro do mesmo ano, a Pastoral foi oficialmente iniciada na diocese de Taubaté (SP), na cidade de Pindamonhangaba.
“A Pastoral foi e tem sido essencial para nós, pois transformou a nossa dor em partilha e nos mostrou que nosso matrimônio continua gerando vida. Através dela, conhecemos pessoas maravilhosas e também nos aproximamos de outras que já conhecíamos. (…) Como é bom falar e ser verdadeiramente compreendido! Encontrar um lugar onde nossas lágrimas encontram eco nos ajuda a transbordar o amor do nosso lar para acolher a dor do próximo.”, relata o casal de Pinda.
O milagre da vida

O casal Marcela e Clovis e a filha Catarina / Foto: Arquivo Pessoal
Enquanto viviam o processo de conhecer a pastoral e implantá-la na diocese de Taubaté, Marcela e Clovis descobriram que ela estava grávida. Após anos de espera, dor, angústia, vergonha, ansiedade e solidão – todos esses sentimentos indicados pelo próprio casal – eles já tinham aberto o coração para adoção quando veio a filha biológica, Catarina.
“Mesmo com esse milagre em nossos braços, seguimos convictos na fila de adoção, pois sabemos que esse também é o plano de Deus para a nossa família. Aceitar a vontade do Senhor tem sido entender que os caminhos d’Ele para a nossa paternidade e maternidade são múltiplos, perfeitos e muito maiores do que jamais ousamos sonhar.”
E mesmo após a realização da tão sonhada maternidade e paternidade, Marcela e Clóvis são firmes ao dizer que seguem na missão da Pastoral Fecundos em Cristo. “Nós não entramos nela com o objetivo de gerar uma vida, seja ela biológica ou adotiva; entramos para discernir a vontade de Deus, buscar apoio e ter um espaço seguro para fala e partilha. Seguiremos firmes nessa missão até onde Deus permitir e quiser.”
O papel do pároco no acompanhamento pastoral
Conforme relatado por Marcela e Clovis, a Pastoral Fecundos em Cristo chegou a Pindamonhangaba com o apoio do pároco, o padre Kleber. “O papel do pároco tem sido em orientar o casal coordenador, Marcela e Clóvis, na escolha das temáticas mensais de reflexão, na escolha e indicação de assessores e dar todo apoio espiritual que necessitam.”, explica o sacerdote.
Padre Kleber ressalta o objetivo desse trabalho pastoral: auxiliar, acompanhar e rezar com casais que de um lado passam por dificuldades relacionadas à gestação e do outro precisam compreender toda missão que possam assumir com o caminho da adoção. “Isso tudo visto e construído na perspectiva da ‘fecundidade em Cristo’, ou seja, a percepção de uma espiritualidade que envolve a vida do casal e da família.”
Como ter acesso à Pastoral Fecundos em Cristo?
Atualmente, os encontros são realizados na cidade de Jundiaí (SP) no terceiro sábado do mês na Catedral Nossa Senhora do Desterro. Já na cidade de Pindamonhangaba (SP), é realizado no primeiro sábado do mês, na Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso.
Também é possível acompanhar e entrar em contato pelo perfil oficial no Instagram: @pastoralfecundosemcristo.dj .



