Presos no mar

Pandemia: Vaticano pede passagem segura para casa para marinheiros

Estima-se que pelo menos 300 mil marinheiros estão presos no mar por conta das restrições impostas pelo novo coronavírus

Da redação, com Vatican News

Cardeal Peter Turkson, prefeito do Dicastério do Vaticano para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral / REUTERS – Stefano Rellandini

Enquanto a Igreja Católica celebra 100 anos de seu ministério aos marítimos, o Vaticano apela aos governantes, organizações internacionais, nacionais e autoridades portuárias para cooperar e criar “canais especiais” para facilitar trocas de tripulação seguras e protegidas, à medida que a pandemia Covid-19 continua a crescer pelo mundo.

“Gostaríamos de ver os marinheiros abandonados no mar de volta a seus países e reunidos com seus entes queridos”, disse o cardeal Peter Turkson, prefeito do Dicastério do Vaticano para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral.

Restrições de viagens, fechamento de fronteiras e medidas de quarentena devido à pandemia, observou o cardeal, desencadearam uma crise de emergência humanitária no mar. “Estima-se que mais de 300 mil marinheiros estão atualmente presos no mar, com seus contratos estendidos muito mais do que o limite de 11 meses estabelecido na Convenção do Trabalho Marítimo (MLC), longe de seus entes queridos, sob estresse mental e fadiga física”, disse Turkson.

Cem anos de apostolados no mar

Turkson fez este apelo em uma carta aos bispos, promotores, coordenadores regionais, diretores nacionais, capelães e voluntários do ministério da Igreja Católica aos marinheiros em todo o mundo, chamada de Apostolado do Mar (AoS), cujos centros nos portos são conhecidos como Stella Maris.

O oficial do Vaticano divulgou a carta antes do 25º Congresso Mundial da Stella Maris/Apostolado do Mar e da Celebração do Centenário, programado para 4 de outubro em Glasgow, Escócia, onde tudo começou. Mas, por conta da pandemia, a celebração será realizada virtualmente.

O Apostolado do Mar, que ministra aos marítimos, independentemente de sua nacionalidade, crença, sexo ou raça, nasceu durante uma reunião em um Instituto Católico na Rua Cochrane, em Glasgow, em 4 de outubro de 1920. O Papa Pio XI abençoou e aprovou o primeira Constituição da AoS em uma carta datada de 22 de abril de 1922. Os sucessivos Papas sempre encorajaram o crescimento deste Apostolado.

Atendendo a mais de 1 milhão de marítimos

Um século depois, centenas de capelães e muitos mais voluntários, presentes em cerca de 300 portos, realizam pelo menos 70 mil visitas de navio anuais e alcançam mais de um milhão de marinheiros.

O Cardeal Turkson agradeceu os incontáveis “apóstolos” de todas as nacionalidades que ao longo das décadas viveram com dedicação e empenho em diversos portos do mundo, ao serviço do povo do mar.

As necessidades dos marítimos são as mesmas

Embora as estruturas e designs dos portos mudaram, explicou o cardeal Turkson, as necessidades dos marinheiros e pescadores não. Cada vez que atracam, anseiam por entrar em contato com seus familiares, pedir conselhos para problemas contratuais ou simplesmente gostariam de conversar. Apesar das restrições da Covid-19, disse ele, a essência do serviço do AoS deve primordialmente um “ministério da presença”. O purpurado exortou-os a “aproveitar todos os instrumentos que a tecnologia nos oferece para estarmos presentes na vida das gentes do mar, oferecendo amizade, apoio, encorajamento e oração contínua.

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