Em mensagem do Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso por ocasião do Ramadã e do Id al-Fitr, Cardeal Koovakad enfatiza busca pela paz
Da Redação, com Vatican News

Foto: Canva
A Santa Sé divulgou nesta sexta-feira, 20, uma mensagem do Dicastério para o Diálogo Inter-Religioso dirigida aos muçulmanos por ocasião do Ramadã e do Id al-Fitr. O texto é assinado pelo prefeito do dicastério, Cardeal George Jacob Koovakad, e pelo secretário, monsenhor Indunil J. K. Kodithuwakku.
Na mensagem, os representantes expressam proximidade, solidariedade e respeito a todos os muçulmanos, reconhecidos como crentes no único Deus, “vivo e subsistente, misericordioso e onipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens” (declaração Nostra Aetate, n. 3).
Koovakad destaca que, neste ano, há uma coincidência providencial entre os calendários religioso cristão e muçulmano. “Os cristãos observam este período de jejum e devoção juntamente com vocês durante o sagrado tempo da Quaresma, que conduz a Igreja à celebração da Páscoa”, afirma.
Segundo a mensagem, esse tempo é marcado por intensa espiritualidade e pelo esforço de viver mais fielmente a vontade de Deus. “Este caminho compartilhado permite-nos reconhecer nossa fragilidade intrínseca e enfrentar as provações que pesam sobre nossos corações”, ressalta o texto.
Manter o olhar fixo em Deus
Diante de provações pessoais, familiares ou institucionais, é comum que as pessoas busquem compreender suas causas a fim de encontrar um caminho. No entanto, pontua o purpurado, a complexidade dessas situações pode superar as capacidades humanas e aprofundar o sofrimento.
Em um contexto marcado pelo excesso de informações e por narrativas divergentes, observa Koovakad, o discernimento pode se tornar ainda mais difícil. “É justamente então que pode surgir a tentação de ceder ao desespero ou à violência. O desespero pode parecer uma resposta sincera a um mundo dilacerado, enquanto a violência pode apresentar-se como um atalho para a justiça que contorna a paciência exigida pela fé”, ressalta.
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O cardeal sublinha que nenhuma das duas opções pode jamais ser um caminho aceitável para os crentes. “Um verdadeiro crente mantém o olhar fixo na Luz invisível que é Deus — o Onipotente, o Misericordioso, o único Justo — que ‘julga as nações com retidão’ (Sl 96,10)”, sinaliza, acrescentando ainda que o crente esforça-se, com todas as suas forças, para viver segundo os mandamentos de Deus.
Unidos pela missão de restaurar a paz
Na sequência, o texto expressa que cristãos e muçulmanos, “juntamente com todas as pessoas de boa vontade, são chamados a imaginar e abrir novos caminhos pelos quais a vida possa ser renovada”. Tal renovação só é possível por meio de uma criatividade alimentada pela oração, pela disciplina do jejum que purifica nossa visão interior, e por atos concretos de caridade.
Ao final da mensagem, o prefeito do dicastério reitera sua proximidade e afirma que cristãos e muçulmanos estão unidos não apenas pelas provações, mas também pela missão comum de restaurar a paz no mundo.
“Paz: este é o meu fervoroso desejo para cada um de vocês, para suas famílias e para as nações onde vivem. Não se trata de uma paz ilusória ou utópica, mas, como sublinhou o Papa Leão XIV, de uma paz que nasce do ‘desarmamento do coração, da mente e da vida’”, expressa Koovakad. “Tal paz é um dom recebido de Deus e alimentado pela redução da hostilidade por meio do diálogo, da prática da justiça e do amor ao perdão”, finaliza.




