Ano da Família

Matrimônio: autor de livros na área enfatiza preparação dos casais

Preparação ao matrimônio é um dos temas da Amoris Laetitia, a exortação do Papa sobre o amor na família

Jéssica Marçal
Da Redação

Foto: Chrapuscule via Getty Images

A preparação ao matrimônio é um dos temas amplamente abordados na exortação apostólica Amoris Laetitia do Papa Francisco. Considerada de “primeira importância” pelo Catecismo da Igreja Católica (CIC 1632), é cada vez mais alvo de atenção da Igreja. E isso considerando que a família é santuário da vida, como definiu São João Paulo II.

Um esforço que não é recente. Já no Concílio Vaticano II, essa formação foi colocada como centralidade na vida paroquial. No Brasil, o documento 12 da CNBB – Orientações Pastorais Sobre o Matrimônio, de 1978 – já falava que a preparação não pode se reduzir a um curto período antes da celebração. Mais que isso, o documento recomenda o acompanhamento desde o namoro e, principalmente, no noivado.

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“Para nós, a grande deficiência dos ‘cursos de noivos’ é a falta de tempo para aprofundar temas e gerar vínculos com os agentes de preparação”. Quem afirma é André Parreira, autor de diversos livros sobre matrimônio e família. Ele e a esposa, Karina Parreira,  atuam há 20 anos na preparação para o matrimônio e atendimento de noivos e casais. Também já foram responsáveis pelo Setor Pré-Matrimonial da Comissão Nacional da Pastoral Familiar.

André e Karina Parreira / Foto: Arquivo Pessoal

André destaca que a preparação para a Eucaristia e o Crisma não acontece como um “intensivão”. A preparação para o sacramento da Ordem exige seis anos ou mais de formação. Já a do matrimônio, em alguns locais, é realizada em um fim de semana ou em poucas horas. 

Encontros de preparação

Pensando nessa necessidade de maior atenção, o casal iniciou um trabalho em 1999. Inicialmente, palestrando em cursos de noivos. Depois, eles iniciaram uma catequese matrimonial, ministrada a partir de roteiros. O material acabou se transformando em uma apostila de uso paroquial. E a apostila, por fim, materializou-se no livro “Matrimônio – encontros de preparação” de 2015.

Em 2016, o livro foi publicado como material oficial da Comissão Nacional da Pastoral Familiar, sendo atualizado a partir da exortação Amoris laetitia. Nesse mês de junho, a obra chegou a 75 mil exemplares vendidos. A estimativa de André é que mais de 50.000 casais de língua portuguesa se prepararam para o matrimônio através deste material.

O livro constitui uma catequese pré-matrimonial. São encontros temáticos guiados por um texto base, com doutrina sobre o Matrimônio, momentos de oração, partilha e tarefas para serem feitas pelos casais.
Ao todo, são propostos 10 encontros, que podem ser semanais ou quinzenais, mantendo o grupo de formação unido por alguns meses em torno do estudo, partilha e reflexão.

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Segundo o autor, há planos para uma nova edição com mais encontros, abordando novos temas. Também há o projeto de um segundo volume para que os casais continuem se encontrando, com temas não obrigatórios na preparação, mas importantes, como a ideologia de gênero.

A Amoris laetitia e os apelos do Papa

Toda a Igreja vive o Ano Familia Amoris Laetitia, convocado pelo Papa Francisco. André recorda como o Papa tem falado abertamente sobre a necessidade de uma boa preparação para o matrimônio, de um acompanhamento aos casais.

Ele informa que ainda é pequena a parcela dos casais que, de fato, procuram a Igreja em busca de aprofundamento e discernimento para se casar. A maioria ainda passa pelos cursos de preparação como o cumprimento de uma exigência. “Há muito desconhecimento sobre o que é o Matrimônio e seus compromissos”, opina.

A motivação, segundo André, é ver que, logo nos primeiros encontros, os casais se encantam e se interessam. Para ele, as paróquias precisam aproveitar isso para lhes oferecer mais.

“É necessário aprimorar cada vez mais a motivação e a preparação para o matrimônio em todas as suas etapas, desde o ventre materno até a celebração. Além, é claro, de também apoiar a acompanhar os recém-casados”, conclui.

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