Responsabilidade parte de verificar informações e checar as fontes antes de propagação
A segunda matéria da série sobre política e cidadania à luz do Evangelho traz o tema Verdade. A reportagem busca mostrar o que é a verdade e como o cidadão pode identificá-la no dia a dia.
Reportagem de Gabriela Matos e Ersomar Ribeiro
Internet, redes sociais, smartphones e outros dispositivos eletrônicos ampliaram o acesso à informação. Ao mesmo tempo, a manipulação de imagens e vídeos, as campanhas digitais e o uso da inteligência artificial também passaram a fazer parte do cotidiano.
Em meio a tantos dados, notícias e conteúdos circulando a todo instante, surge um desafio.
Como identificar o que é verdadeiro? “Checar a informação, inseri-la de fato no contexto em que ela se desdobra, procurar quanto possível saber as razões e as consequências, porque o dado ele inserido no real contexto, ele pode ter uma conotação completamente diferente daquela tirada do contexto”, afirmou o bispo auxiliar do Ordinariado Militar do brasil, Dom José Falcão.
Teorias conspiratórias e informações deliberadamente falsas ganharam espaço no debate político de vários países. Nas redes sociais, esses conteúdos alcançam milhares de pessoas, misturam fatos e versões e podem interferir na maneira como a realidade é compreendida.
Nesse cenário, buscar a verdade e verificar a informação são atitudes essenciais para um debate público mais responsável. “Eu nunca consigo dissociar o tema da verdade, sobretudo no campo da política. Toda a política, a política da vida, a política do cotidiano e também a política partidária, eu não consigo dissociá-la de uma questão de ética”, citou o professor de Comunicação e Psicoterapeuta, Dimas Kunsch.
No ambiente digital, uma informação falsa pode percorrer muitos caminhos em pouco tempo e chegar também aos mais jovens. Famílias, comunidades e escolas têm um papel importante nesse processo, ajudando a formar pessoas capazes de questionar, verificar e compreender que aquilo que publicam e compartilham também produz consequências na sociedade.
“Jesus nos diz: ‘A verdade nos tornará livres’. Por isso, verificar uma informação também é uma forma de responsabilidade e de cuidado com o próximo. Papa Francisco nos lembra que os jovens não são apenas o futuro, eles são o presente e o agora de Deus”, ressaltou a Associação Nacional de Educação Católica(Anec), Walberson Martins.
A inteligência artificial trouxe ferramentas capazes de facilitar tarefas, ampliar o acesso ao conhecimento e ajudar na solução de problemas. Mas esses mesmos recursos também podem ser usados para produzir textos, imagens, áudios e vídeos falsos, cada vez mais convincentes, tornando mais difícil distinguir o que é real do que foi artificialmente criado.
“O que funciona é um hábito compartilhado, essa higiene coletiva. Então isso significa antes da gente repassar no grupo da família, antes da gente passar para uma pessoa conhecida, a gente verificar a fonte, quem publicou, se alguém mais verificou, especialmente se é uma coisa que choca, especialmente se é uma coisa que é feita para trazer emoções fortes em quem está vendo ou quem está ouvindo”, completou o professor de Inteligência Artificial e Política Tecnologia, Philipe Moura.
Ninguém precisa se tornar especialista para desconfiar antes de compartilhar. Verificar a fonte, confrontar informações e conhecer o contexto são cuidados que ajudam a interromper a desinformação.
A verdade também depende de quem está disposto a procurá-la. E numa sociedade cercada por tantas vozes, lançar luz sobre os fatos é uma responsabilidade de todos.




