CONFLITOS PELO MUNDO

Cardeal Cupich: 'um apelo à consciência' sobre a representação da guerra

O Arcebispo de Chicago faz um ‘apelo à consciência’ enquanto a tragédia da guerra no mundo, especialmente no Irã, é tratada e retratada como um videogame

Da redação, com Vatican News

O cardeal Blase Cupich apoiou a defesa dos imigrantes feita pelo Papa / Foto: Reprodução Youtube

Em uma declaração intitulada “Um Apelo à Consciência”, abordando o custo humano do conflito em curso envolvendo o Irã, o Arcebispo de Chicago, Blase J. Cupich  lamenta a maneira “repugnante” como a guerra está sendo retratada online.

Referindo-se aos bombardeios recentes, o Cardeal Blase Cupich escreve que “Enquanto mais de mil homens, mulheres e crianças iranianos jaziam mortos após dias de bombardeio com mísseis americanos e israelenses, a conta oficial da Casa Branca, X, publicou na noite de quinta-feira, 5, um vídeo com cenas de filmes de ação populares intercaladas com imagens reais de ataques da guerra contra o Irã. O vídeo tinha a legenda: ‘JUSTIÇA À MODA AMERICANA’”.

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É repugnante, observa o prelado, que “uma guerra real e um sofrimento real” estejam sendo tratados como um videogame.

“Centenas de pessoas morreram, mães e pais, filhas e filhos, incluindo dezenas de crianças que cometeram o erro fatal de ir à escola naquele dia. Seis soldados americanos foram mortos. Eles também foram desonrados por aquela publicação nas redes sociais. Centenas de milhares estão deslocados”, destaca o Cardeal Cupich, “e muitos milhões mais estão aterrorizados em todo o Oriente Médio.”

Distância entre o campo de batalha e a sala de estar

Na declaração, o Cardeal reflete sobre o papel da mídia e da tecnologia na formação da percepção pública sobre os conflitos.

Ele escreve que “a distância entre o campo de batalha e a sala de estar foi drasticamente reduzida” e afirma que a crise moral que enfrentamos vai além da própria guerra, encontrando-se também em “como nós, os observadores, vemos a violência, pois a guerra agora se tornou um esporte para espectadores ou um jogo de estratégia”.

O Arcebispo observa que até mesmo jornalistas agora usam o termo “gamificar” a guerra, uma escolha de palavras que “desumaniza pessoas reais”.

Denunciando o que considera uma “profunda falha moral”, o Cardeal Cupich escreve: “Não nos esqueçamos: um ‘acerto’ não significa marcar pontos no placar; significa uma família enlutada cujo sofrimento ignoramos quando priorizamos o entretenimento e o lucro em detrimento da empatia”.

Dessensibilização aos custos da guerra

E lamentando a atitude do governo dos EUA que, segundo ele, “trata o sofrimento do povo iraniano como pano de fundo para nosso próprio entretenimento”, o Arcebispo afirma que isso nos leva a “perder nossa humanidade quando nos emocionamos com o poder destrutivo de nossas forças armadas”.

“Nos tornamos viciados no ‘espetáculo’ das explosões”, acrescenta, observando que “o preço desse hábito é quase imperceptível, à medida que nos dessensibilizamos aos verdadeiros custos da guerra”.

“Quanto mais tempo permanecermos cegos às terríveis consequências da guerra, mais arriscaremos o dom mais precioso que Deus nos deu: nossa humanidade”, diz o arcebispo.

Concluindo, o Cardeal Cupich declara: “Sei que o povo americano é melhor do que isso. Temos a sensatez de saber que o que está acontecendo não é entretenimento, mas guerra, e que o Irã é uma nação de pessoas, não um videogame que outros jogam para nos entreter”.

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