Leão XIV se encontrou com líder da Igreja Anglicana e frisou, em seu discurso, necessidade de diálogo em busca da unidade e da paz
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV cumprimenta a arcebispa da Cantuária, Sarah Mullally / Foto: IMAGO/Catholic Press Photo via Reuters
Nesta segunda-feira, 27, o Papa Leão XIV recebeu a arcebispa da Cantuária, Sarah Mullally, em um encontro histórico. A reunião aconteceu no Vaticano e envolve séculos de história.
Em março, Mullally se tornou a primeira mulher a ser eleita como líder espiritual da Igreja Anglicana. Os cristãos dessa denominação não estão em comunhão com Roma desde 1534, quando o rei Henrique VIII separou a Igreja da Inglaterra da autoridade do Papa após séculos de presença católica no país.
Em seu discurso, Leão XIV recordou o “memorável encontro” entre São Paulo VI e o arcebispo Michael Ramsey há sessenta anos, marcando o início do diálogo teológico entre católicos e anglicanos. Diante disso, afirmou que “seria um escândalo se não continuássemos a trabalhar para superar as nossas diferenças, por mais insuperáveis que possam parecer”.
No contexto do tempo pascal, o Papa destacou a necessidade de um testemunho comum da paz de Cristo. Trata-se uma paz “desarmada”, pois o próprio Senhor “sempre respondeu à violência e à agressão de modo desarmado, convidando-nos a fazer o mesmo”. Por isso, exortou os cristãos a oferecerem “juntos um testemunho profético e humilde desta realidade profunda”.
Perseverantes na oração
O Pontífice também voltou o olhar para o sofrimento do mundo contemporâneo, marcado por conflitos. Ele advertiu que “as divisões entre os cristãos enfraquecem a nossa capacidade de sermos portadores eficazes” da paz. Nesse sentido, insistiu que, “se queremos que o mundo acolha com o coração a nossa pregação, devemos ser perseverantes na oração e nos esforços para remover qualquer pedra de tropeço que impeça a proclamação do Evangelho”.
Reconhecendo os desafios do caminho ecumênico, o Santo Padre observou que, embora muitos progressos tenham sido alcançados, “nas últimas décadas surgiram novos problemas”, tornando mais complexa a busca pela plena comunhão. Ainda assim, reforçou que não se deve permitir que esses desafios constantes impeçam os cristãos de aproveitar toda ocasião possível para proclamar, juntos, Cristo ao mundo.
“Enquanto continuamos nossa caminhada juntos em amizade e diálogo, oremos para que o Espírito Santo, que o Senhor soprou sobre os discípulos na noite seguinte à sua ressurreição, guie nossos passos enquanto buscamos, em oração e humildade, a unidade que é a vontade do Senhor para todos os seus discípulos”, concluiu Leão XIV.




