Discurso aos professores

Educar requer amor e paciência sem esperar retorno imediato, frisa Papa

Sala Paulo VI ficou lotada neste sábado, 25, com professores que lecionam religião católica nas escolas italianas; Leão XIV afirmou que ensino religioso é “trampolim” para mergulho na interioridade

Da Redação, com Vatican News

Papa durante discurso aos professores reunidos na Sala Paulo VI, no Vaticano, para audiência; Papa cumprimenta fiéis com criança em seu colo.

Papa durante audiência com professores na Sala Paulo VI, no Vaticano /Foto: IMAGO/Catholicpressphoto via Reuters e REUTERS/Yara Nardi

O Papa acolheu, na Sala Paulo VI, os participantes do Encontro Nacional Italiano de Professores de Religião Católica, promovido pela Conferência Episcopal Italiana. Leão XIV iniciou seu discurso agradecendo pelo trabalho exigente e, muitas vezes, silencioso realizado pelos docentes. O Pontífice comparou o ensino religioso a um “trampolim”, capaz de impulsionar os jovens na “aventura fascinante” do diálogo interior, elemento indispensável da aliança educativa tão necessária nos dias de hoje.

Além disso, destacou o valor cultural da disciplina: “O ensino da religião católica é uma matéria de grande valor cultural, útil para a compreensão das dinâmicas históricas e sociais, bem como das manifestações do pensamento, da criatividade e das artes que moldaram e continuam a moldar a face da Itália, da Europa e de tantos países do mundo.”

Segundo o Papa, isso demonstra que a verdadeira laicidade não exclui a dimensão religiosa, mas sabe valorizá-la como recurso educativo. Leão XIV também ressaltou a pertinência do tema escolhido para o terceiro encontro nacional, “O coração fala ao coração” (Cor ad cor loquitur), inspirado em São John Henry Newman, Doutor da Igreja e copadroeiro do mundo da educação. Em uma época marcada pelo excesso de estímulos, advertiu que é fácil silenciar a voz interior.

“Por isso, educar para ouvi-la ou reencontrá-la é um dos maiores presentes que se pode oferecer às novas gerações. O homem não pode viver sem verdade e sem significados autênticos. Os jovens, mesmo que às vezes pareçam apáticos ou insensíveis, por trás de uma aparente indiferença, muitas vezes escondem a inquietação e o sofrimento de quem sente demais, de forma intensa, sem conseguir dar nome ao que experimenta.”

Ensinar requer amor

Para o Papa, ensinar significa formar pessoas capazes de ouvir o coração e, assim, crescer na liberdade interior e no pensamento crítico. Trata-se de um caminho em que fé e razão não se ignoram nem se opõem, mas caminham juntas na busca humilde e sincera da verdade.

Por isso, acrescentou, educar exige paciência para semear sem esperar resultados imediatos, respeitando o tempo de amadurecimento de cada pessoa. “E, acima de tudo, requer amor”. Leão XIV afirmou ainda que os professores são chamados a tornar-se testemunhas credíveis, apaixonadas por Deus, sem protagonismo nem moralismo. Segundo ele, os alunos não precisam de respostas prontas, mas de proximidade e honestidade por parte de adultos que os acompanhem com responsabilidade diante das grandes questões da vida.

Ao concluir, o Pontífice recordou que a escola enfrenta hoje desafios dramáticos e, ao mesmo tempo, estimulantes. Por isso, assegurou que a Igreja caminha ao lado dos professores, encorajando-os a perseverar em sua missão.

 

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