Na catequese desta quarta-feira, 7, Leão XIV convida à redescoberta da beleza, atualidade e força profética do Concílio Vaticano II para a Igreja e o mundo
Da Redação, com Vatican News

Papa na Sala Paulo VI para a Catequese desta quarta-feira, 7/ Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane
“Iniciamos um novo ciclo de catequeses dedicado ao Concílio Vaticano II e à releitura dos seus Documentos. Esta é uma preciosa oportunidade para redescobrir a beleza e a importância deste evento eclesial”. Com estas palavras, o Papa Leão XIV iniciou a Catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 7, realizada na Sala Paulo VI em razão das baixas temperaturas no hemisfério norte.
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Após as reflexões do Ano Jubilar dedicadas aos mistérios da vida de Jesus, o Santo Padre propôs à Igreja um novo itinerário de reflexão, centrado no Concílio Vaticano II, definido por São João Paulo II como “a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX”.
Um Concílio que permanece atual
O Pontífice recordou que, em 2025, a Igreja celebrou, juntamente com o aniversário do Concílio de Niceia, o 60º aniversário do Concílio Vaticano II. Embora não esteja distante no tempo, observou que os bispos, teólogos e fiéis que participaram diretamente daquele acontecimento já são falecidos. Por isso, torna-se ainda mais necessário redescobrir o Concílio de maneira autêntica, não a partir de “boatos” ou leituras parciais, mas por meio da releitura atenta dos seus documentos.
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Segundo Leão XIV, é precisamente nesses textos que se encontra um Magistério vivo, capaz de orientar ainda hoje o caminho da Igreja. Citando Bento XVI, o Papa recordou que os documentos conciliares não perderam a sua atualidade; ao contrário, “os seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes” diante das novas situações da Igreja e da sociedade globalizada.
O alvorecer de uma nova etapa eclesial
Ao recordar a abertura do Concílio por São João XXIII, em 11 de outubro de 1962, o Santo Padre refletiu sobre a imagem do “alvorecer de um dia de luz” para toda a Igreja. O trabalho dos padres conciliares, provenientes de Igrejas de todos os continentes, abriu caminho para uma nova etapa da vida eclesial, amadurecida a partir de uma rica reflexão bíblica, teológica e litúrgica desenvolvida ao longo do século XX.
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O Concílio Vaticano II, explicou o Pontífice, redescobriu o rosto de Deus como Pai que, em Cristo, chama todos a serem seus filhos; contemplou a Igreja à luz de Cristo, como mistério de comunhão e sacramento de unidade; e promoveu uma profunda reforma litúrgica, colocando no centro o mistério da salvação e a participação ativa e consciente de todo o Povo de Deus. Ao mesmo tempo, ajudou a Igreja a abrir-se ao mundo contemporâneo, dialogando com os seus desafios e mudanças.
Uma Igreja chamada ao diálogo
São Paulo VI frisou que graças ao Concílio, “a Igreja faz-se palavra, faz-se mensagem, faz-se colóquio”, sublinhou Leão XIV. Esse impulso, prosseguiu, levou a Igreja a comprometer-se com o ecumenismo, o diálogo inter-religioso e o diálogo com todas as pessoas de boa vontade, na busca sincera da verdade. Esse mesmo espírito, reforçou o Pontífice, deve continuar a caracterizar a vida espiritual e a ação pastoral da Igreja hoje.
“Devemos implementar ainda mais plenamente a reforma eclesial de modo ministerial e, perante os desafios de hoje, somos chamados a permanecer atentos intérpretes dos sinais dos tempos, alegres anunciadores do Evangelho, corajosas testemunhas da justiça e da paz.”
Santidade, esperança e missão
Citando Albino Luciani, Papa João Paulo I, o Santo Padre recordou que os frutos de um Concílio não dependem apenas de estruturas ou métodos, mas de “uma santidade mais profunda e mais extensa”, capaz de amadurecer ao longo do tempo, inclusive em meio a dificuldades e conflitos. Redescobrir o Concílio, acrescentou, significa devolver a primazia a Deus e ao essencial: uma Igreja apaixonada pelo Senhor e pela humanidade por Ele amada.
Na parte final da catequese, Leão XIV retomou as palavras de São Paulo VI dirigidas aos Padres conciliares no encerramento do Vaticano II, recordando que chegou o tempo de partir ao encontro da humanidade para lhe anunciar o Evangelho. Um tempo que reúne passado, presente e futuro, marcado pelo desejo dos povos por justiça, paz e uma vida mais plena.
“Ao aproximarmo-nos dos documentos do Concílio Vaticano II e redescobrirmos a sua profecia e atualidade, acolhemos a rica tradição da vida da Igreja e, ao mesmo tempo, questionamos o presente e renovamos a alegria de correr ao encontro do mundo para levar o Evangelho do Reino de Deus, um reino de amor, de justiça e de paz”, concluiu.




